sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

O judeu errante





O judeu errante



– Bom dia, Dona Menina!
– Oh, bom dia, até levei um susto, Donana! Estava aqui sorumbática, perdida nos meandros do matutar e papeando com os meus cotovelos, que não nem vi você chegar assim meio sorrateira.
– Que sorrateira nada, Dona Menina, eu cheguei bem no normal no chique chi­que dos meus chinelos, a Senhora Dona Menina é que tá aí perdida, aluada de tudo!
–Num é que tô, Donana. É que tem umas minhoquinhas escorrendo por dentro dos meus miolos que tão me deixando assim ensimesmada.
– E a senhora num há de preferir botar pra fora o que lhe tá aperreando? É ali­viante quando a gente pode desembrulhar nossas dores nos ouvidos de outro vivente, né?
– Não são dores nem aperreios, Donana, são mesmo meditações que ficam me arrodeando, arrodeando, e não me saem do entreter.
– Ah, bom, a Senhora Dona Menina tá mesmo então é a tecer filosofia.
– Mais ou menos, Donana. Sabe? É que eu fico assim no pensar como é o despropósito do tempo com suas andanças e como ele maltrata a gente tão sofrida.
–Mas de que é que a senhora tá falando, Dona Menina? A senhora tá a des­pender tempo pra pensar no tempo?
–Até parece mesmo perda de tempo, né Donana? Mas eu fico cá matutando: já imaginou quanto a gente estraga o olhar que se perde em motivos desimpor­tantes, enquanto o bem bom mesmo tá ali debaixo do olho bobo que não quer ver?
– A senhora tá bem que uma charada hoje, tô numa cambulhada que num faço gosto!
– Eu tô falando dos observantes sem intenção das coisas triviais do tempo deles, que nem se dão conta do que passa na frente dos seus olhos embrulhados.
– Por obséquio, Dona Menina, ilumine a minha ignorância!
– Eu fico assim pensando naquela gente que estava lá, bem de frente, presen­ciando a passagem de Nosso Senhor só com um rabo de olho, pois que tinha que cuidar dos quefazeres próprios. Que pena me dá dos coitados!
– Ó, Dona Menina, num é que a senhora tá danada de certa, isso dá pano pra manga!
– E então! Quando Ele passou pelas ruas portando a cruz, aquela gente judia­da, que tava tão no costume de ver aquelas barbarias sucederem, que levanta­ram um olhar de caridade pra Nosso Senhor e só fizeram só um tis-tis de des­conformismo e voltaram pra sua faina...
– Coitados! Que dó me dá só de pensar de tanta perda de ocasião de ver Nos­so Senhor Jesus Cristo de presença viva.
– Pois, não é? Tem razão a gente que diz que Deus não dá asa a cobra. Em agora mesmo eu tava lendo umas poesias d’O Judeu Errante, e num gostei nadinha foi do modo como o Severino Borges falou que Jesus maldisse o sapa­teiro judeu; bem assim, escuta só:

"Pedi água e não me deste
 nem sombra nem parreirais
 e mandaste que andasse
 mas tu agora andarás
até o final dos séculos
sem ter sossego nem paz”.

– Mas num é assim que eles trataram Nosso Senhor Jesus, com desproposi­tada vilania?

 Pois foi, mas num entra na minha cachola que a imagem do amor que é Nosso Senhor pudesse desejar mal assim a um vivente.

– Mas a Senhora Dona Menina acha mesmo que viver até o final dos séculos vagando é deveras uma maldição?

 E num é, Donana? Deus nos livre e guarde de tamanho despropósito de vi­ver pra sempre.

 Talvez, Dona Menina, num sei não se seria tão ruim assim.

 Mas veja, Donana, eu fui ler o cordel porque antes eu fui no cinema pra ver uma fita de mesmo nome.

– Ora, veja só, a Dona Menina tá mesmo chique e com tempo para entreter esses olhos com essas lendas de fita? Pois eu tenho ojeriza mesmo da bruteza dessas coisas desses filmes.
– Ora, Donana, essa história só tinha de bruteza mesmo o que fizeram com Nosso Senhor Cristinho, pois a fita começou justo na senda do calvário.
– Ah, é, Dona Menina, e qual era a trela dessa fita?
– Quando Nosso Senhor penava em portar sua cruz pro Calvário, um judeu caído de dor por sua mulher doente, à intercessão dela, pediu a Jesus que a curasse. E Jesus disse que se ela fosse de retorno pro seu marido de legítimo, ela seria curada.
– E o judeu nem quis aceitar, né?
 O judeu então falou um despautério pra Jesus, que lhe falou assim: “Eu não vou te esperar, mas tu esperarás por mim até que eu volte a ti”.
 E a dona morreu, Dona Menina?
 Morreu, Donana, e o judeu em agonia tentou dar cabo de sua vida, mas a faca que ele tentou usar retalhou-se em pedaços sem mesmo ferir ele.
– Até que eu gostei dessa parte, Dona Menina.
– Mas aí ele foi afora pelo mundo, de primeiro só fruindo seu privilégio. Depois os malefícios da vida vão fazendo ele girar os olhos pra cima e relembrar as palavras de Jesus.
– E a senhora tem tenção no que a sentença dizia?
– A fita foi desenrolando os séculos e o judeu por fim era um médico, bom de amolecer os corações mais empedrados; ele curou uma meretriz, que nem Je­sus fez com a Madalena, e inda lhe falou do Bom Mestre.
– Pois é, né, doente não tem ofício, né?
– E os padres, Donana? Aqueles dominicanos tosquiados lá da inquisição num gostaram um nada das palavras dele e chamaram ele de herege porque ele era judeu.
– E mataram o bom do doutor, Dona Menina?
– Eles bem que tentaram, porque ele disse pros padres que viu o crescer da Igreja em acordo com o diminuir da bondade, que da cruz rota de madeira os padres fizeram cruzes de ouro cravejadas de prepotência.
– Chi! De certo isso acendeu o fogo da fogueira!
– E foi, Donana! Mas ele não ardeu no fogo, que não o quis queimar. Uma luz do céu apareceu e o venturoso entendeu que Jesus tinha então regressado pra buscá-lo, e apagou-se com um sorriso nos lábios.
– E os padres, Dona Menina?
– Bem mais que ligeiro puseram de novo fogo pra que o milagre não se puses­se na boca do povo.
– É como se diz: o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde.
– Deveras, Donana; sabe por que eu quis ver a fita?
– Imagino que a Senhora Dona Menina queria mesmo entreter-se um pouco num descanso, né?
– Nem tanto, Donana, fui mesmo por desagravo, pois o Padre Joaquim falou mal da fita: que nenhum cristão de rigor devia ver tanta maledicência.
– Ara, e a senhora num é uma cristã de rigor?
– Pois sou, Donana, mas, quando aquele obtuso fala, eu considero bem o do contra, e queria mesmo provar por mim mesma o valor da fita.
– A Senhora Dona Menina tem mesmo uma cabeça chique!
– Sabe como é, né, Donana? É que não tenho nenhuma canga no pescoço pra seguir um candieirozinho.

-o-

de Rubem Alves:
 É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer; pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa - voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.








sábado, 7 de janeiro de 2017

Inês é morta




Inês é morta


Túmulos de D. Inês de Castro e D. Pedro I, Mosteiro de Alcobaça.

Desculpai-me, Dona Inês, pois sei que irei perturbar o vosso sono de paz; se peguei da pena para reviver vossa história, foi apenas pelo irresistível poder que vossa fortuna de amor e desditado fim atraiu-me desde que, nos bancos escolares, os versos de Camões bradaram-me vossa sorte:

Passada esta tão próspera vitória,

Tornado Afonso à Lusitana Terra,

A se lograr da paz com tanta glória

Quanta soube ganhar na dura guerra,

O caso triste e dino da memória,

Que do sepulcro os homens desenterra,

Aconteceu da mísera e mesquinha

Que despois de ser morta foi Rainha.

                                   (Camões - Os Lusíadas, canto III)

E, hoje, aqui no Mosteiro de Alcobaça, ao lado de vosso túmulo, revejo vossa desdita gravada nos dois calvários dos moimentos, vosso e de vosso esposo. Meu olhar se fixa na coroa que em vida não ornou vossa fronte e que El-rei D. Pedro vos fez vestir para coroar vossa memória resgatando-vos dos maldizeres da plebe para a honra da história e das lendas.

***

– Ah, Pedro, por onde andarás? Quando desperto do meu sono pelo grito de um diletante que põe o estro em nossa malfadada história, meu olhar procura o teu em tua arca real para encontrar apenas tua estátua em sono, e reitero-me a tristeza de que ainda não é o momento em que poderemos enlaçar nossas almas para penetrar no paraíso. 

Quantas vezes, Pedro, quantas vezes terei que acordar novamente dos meus sonhos, ouvindo essas vozes que cantam infinitamente nosso amor desmesurado, e não te encontrar, que andas por não sei que profundos abismos por penas maiores purgar.
Se percorro o mundo glorificada pelas vozes dos poetas, agora que o colo de garça não me adorna mais, sou aqui a mais ínfima alma presa em uma esperança que sempre mais me parece impossível. Ai, por que não me deixam os trovadores desvanecer-me na ausência do sonho do eterno esquecimento?

Em cada um destes despertares, quando me ergo do sono neste moimento frio, procuro ansiosa tua redimida alma na esperança de cumprir tua intenção, ao colocar nessas caixas lavradas nossos corpos exangues, de nos reencontrarmos ao primeiro olhar na ressurreição da manhã do último dia. Mas, se meu olhar primeiro vai à procura do teu, só os teus pés de pedra encontra. E tu, Pedro, aonde deveria minha angústia soltar asas aos ventos neste mundo de penitência para encontrar-te?

Presa pelos nossos ilícitos desejos ególatras, encarcerada no transepto da igreja do mosteiro, arrisco-me a pedir licença aos anjos que me rodeiam, de pedra e de espírito, para passear os olhos pelas cenas que douram nossas arcas de angústia. Ao redor dos meus ossos coroados de rainha in memoriam, as cenas da vida e paixão de Nosso Senhor recordam-me, e aos nossos visitantes, a não valia de nossos penares.

Arrasto-me angustiada procurando no teu túmulo as imagens da nossa paixão para assim reviver, despertar após despertar, nossa história infinitas vezes cantada, distorcida e fabulada.

Vejo-me frágil donzela chegada à corte deste Portugal, que fazia seu caminho para tornar-se imenso nas linhas traçadas por teus avós, El-rei D. Diniz e Santa Isabel, na comitiva de Dona Constança, aquela que te era destinada como esposa e mãe de teus filhos. Acolhida carinhosamente por ela e por toda a corte, logo fui chamada Colo de Garça pela graça que me atribuíam, e meu recato enrubescia-me. Cedo os teus olhares caíram sobre os meus, que fugiam como corças assustadas que eram, mas os teus, insidiosos e indiscretos, até por Dona Constança, para sua humilhação e vergonha, foram percebidos. Fez-me ela madrinha de Luiz, seu infortunado filho morto tão tenro, para ligar-nos mais estreitamente e afastar seu esposo de minha presença; frustrada intenção.

Poderia eu, frágil menina, nascida de uma ligação espúria de meu pai, condenada a lugares subalternos no reino, esquivar-me de tais olhares poderosos e atrevidos? De que tecidos duros seriam tramados os meus sonhos se houvesse tido a força de repelir tão poderoso e voluntarioso príncipe? Por fidelidade a D. Constança resisti pudicamente a teus avanços até que, corça abatida por caçador contumaz, entreguei-me ao fado cruel que me era pressagiado nas delícias de um amor proibido, sem dar-me conta de como o fazia: uma presa, em vida e morte, de tuas tenazes caçadas.

Foste louco de paixão, insensível aos prantos de tua esposa e aos escândalos que detonamos pelo reino. E El-rei D. Afonso, teu prestimoso pai, inconformado, toma medidas para tua suposta proteção: e de ti sou exilada; medida inócua, que não conseguiu apagar os nossos desvarios.

Pesava-me no espírito a injusta afronta que fazia a D. Constança, que assistia impotente a nosso mergulho no pecado, alma tão nobre, que se entregou ao sono do oblívio deixando-nos espaço para desfrutarmos nossa egoística paixão. E tu, Pedro, retirou-me do exílio, trazendo-me para tua casa para vivermos intensamente nosso despudorado amor, desvestido de sua roupagem de escândalo na Fonte dos Amores, em nossa adorada Coimbra.

Pudera aqueles sonhos de menina idolatrada pelos poetas ousarem subir tão alto? Rainha de Portugal! A enjeitada bastarda poderia ter sonhado tanto? Rainha, mas às escondidas, que não pôde ostentar sua coroa senão depois de triste cadáver! Meus filhos, Infantes de Portugal! Os sonhos nunca ousaram tanto! Mas a minha glória não teve por testemunha senão teu confessor e seu criado na igreja fria em que nos casamos secretamente. E El-rei D. Afonso, desconhecendo nosso estado, e reiterado por tuas negativas de nosso secreto casamento, insta contigo a que te casasses novamente, indo de encontro unicamente a tuas negativas.

Eis que toda a corte se revolta, e o povo canta impropérios devido à política ambiciosa de meus irmãos, castelhanos há pouco inimigos de Portugal, agora íntimos e perigosa influência sobre teus passos; e clamam por justiça e moralidade! E ainda acusam-me e a meus irmãos de tramar a morte do herdeiro D. Fernando para que meus filhos pudessem aspirar ao trono. Como se eu pudesse sequer pensar em tamanha vilania em causar-te tal dor, pai amável e terno do Infante.

Pobre D. Afonso, algoz involuntário de sua não proclamada nora, insuflado pelos seus íntimos conselheiros a pôr término a males profanos que se presumia ameaçavam o futuro do reino. Pendente do balanço entre as dúvidas e as medidas saneadoras, sofrendo as dores do infortúnio que causaria a seu filho, sucumbe a seu dever de soberano e, sem ouvir minhas súplicas de mãe aflita e inocente vítima, cuja única culpa foi amar demais, permite a execução da mãe de seus netos, redimindo-me dos pecados de excesso de amor, se redimidos foram por tamanha violência assassina.

Oh, Pedro, quanta revolta fez teu coração de filho explodir de vingança! Cego e surdo aos apelos de tua mãe, Dona Brites, sem conseguir mitigar tua sede no sangue dos meus algozes, pegaste as armas contra teu pai, reeditando o triste episódio em que ele enfrentou em batalha o seu próprio pai, El-rei D. Diniz. Oh, Pedro, não quisera jamais ter sido causa dessa traição aos teus deveres de filho! Mas os rogos de tua mãe se fizeram mais altos que a lembrança do meu sangue e, tudo apaziguado, breve subiste ao trono.

Os teus juramentos a teu pai, consagrados e assinados, de que não procurarias represálias sobre aqueles tão vis conselheiros que me levaram a cabeça, não se fizeram presentes, encobertos pelo de vingança que fizeste ao meu corpo inerte; e, embora fugidos de Portugal, tua mão se estendeu até Castela para trazer de volta Pedro Coelho e Álvaro Gonçalves, meus algozes, trocados com perfídia por outros fidalgos fugidos de lá por igual temor de vindita. Oh, Pedro, o que fizeste, como ousaste tanto!

Homens sem coração, assim os chamaste, mas onde andava o teu que não pôde também estar presente a obra de tão grave crueldade? Pediste cebola e vinagre para o coração do Coelho, que mandaste arrancar pelo peito, e, ao outro desditoso, quiseste que o fosse feito pelas costas: cadáveres sem coração. Oh, Pedro, a quanto nos condenaste à separação por atos tão iníquos!

Tais feitos ganharam-lhe a alcunha de Cruel, por alguns; e por outros, Justiceiro. Quisera jamais ter sabido de tão vergonhosos epítetos que foram sobejamente merecidos.
Saciada tua vingança, meus restos que jaziam em Coimbra, em um túmulo singelo, decidiste transladá-los para este monumento a que a eternidade me condenou. Contam as crônicas que jamais houve tão feéricas homenagens quanto as que me foram prestadas. Toda a nobreza que antes me condenara foi posta a servir-me em morte, todo o clero foi-me posto em cortejo e os cavaleiros trouxeram-me em vistosas andas pelas léguas de estrada. Chamas tremulantes de milhares de círios iluminavam meus despojos ao longo do caminho. E todo esse fausto teceu no folclore do povo o beija-mão a que todos foram obrigados: quiseram-me sentada no trono, em cadáver, oferecendo meus finos ossos aos horrores da corte que me fez sofrer.

Rainha enfim, rainha em estátua, rainha na memória perene dos mortais, que em vida reinara apenas na tua alma de príncipe.

O apogeu de nossos filhos e teus herdeiros poderiam significar que nossos pecados foram perdoados pelas potestades divinas, mas se isto assim é, por onde andas? Quando vejo nosso sangue espalhar-se pelas casas mais poderosas dos governantes deste continente, o pecado de orgulho, se aos mortos ainda é permitido, invade-me a alma de pequena cortesã. E teu filho João, Mestre de Avis e da Ordem de Cristo, herdeira da Ordem do Templo, que glória deu a Portugal transformando em realidade o fogo do teu sonho que fez arder nos mares nunca antes navegados a cruz de Nosso Senhor; tal se tornou a grande missão de nossa nação, perpetuada pelos feitos do Infante D. Henrique e por El-rei D. Manuel. 

Antes que eu volte para o meu sono, de espera a que te permitam voltar ao meu lado, ecoam-me nos ouvidos as palavras de um destes que ousou fazer suas palavras penderem sobre nossa paixão, que para tornar nosso amor eterno, pôs na boca daquela tua vítima sem coração, arrancado pelas costas:

Senhor - digo eu - agradeço-te a minha morte. E ofereço-te a morte de D. Inês. Isto era preciso, para que teu amor se salvasse” (do conto Teorema de Herberto Helder).

E ao meu sono retorno, sou apenas alma à tua espera; mãe e esposa, mas não rainha, de que adianta todo o hausto se Inês é morta!


-o-


            Coimbra
                        José Maria Galhardo e Raul Ferrão  

https://www.youtube.com/watch?v=fIEb-xS-sIM 

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade
O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer saudade

Coimbra do choupal
Ainda és capital
Do amor em Portugal, ainda
Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês tão linda

Coimbra das canções
Coimbra que nos põe
Os nossos corações, à luz...
Coimbra dos doutores
Pra nós os seus cantores
A Fonte dos Amores és tu.