sábado, 26 de maio de 2018

Elizabeth Siddal e os Pré-Rafaelitas



Elizabeth Siddal e os Pré-Rafaelitas

Regina Cordium – Dante Gabriel Rossetti




1

A Irmandade dos Pré-Rafaelitas foi um grupo de jovens artistas que se insurgiu contra o artificialismo, como eles consideravam, da arte acadêmica vigente nos meados do Século XIX, na Inglaterra vitoriana. O grupo pregava um retorno à arte autêntica da Idade Média, anterior a Rafael, que retratasse a natureza de modo simples e direto, buscando inspiração em temas religiosos e literários. Abandonaram as cores suaves, o sombreamento, a profundidade e o uso da perspectiva, técnica esta que a Renascença consagrara.

Em meio aos trabalhos que punham em prática suas ideias, suas vidas foram marcadas por surpreendentes episódios, bastante propícios para fazerem parte da minha seção de textos: História Além da Ficção.

O mais curioso dos fatos deu-se quando da morte de Elizabeth Siddal, retratada no quadro acima por Dante Gabriel Rossetti, seu esposo e figura de maior relevância teórica do grupo: na sua urna funerária, ele depositou entre os seus longos cabelos, como uma dádiva de amor e devoção, um caderno contendo os poemas que havia escrito, sem preservar cópia da grande maioria deles; passados sete anos, após grande sucesso pela publicação de outros poemas posteriores, e pela insistência de seu editor e de amigos, Rossetti pediu autorização para a exumação dos seus poemas, licença que lhe foi concedida, porém eximiu-se de estar presente nesse ato;  foi relatado pelos que o executaram que o corpo de Lizzie, como a conheciam na intimidade, estava perfeito, e que seus longos cabelos haviam crescido ainda mais.

Outro episódio interessante foi protagonizado por John Ruskin, patrono e defensor do grupo pré-rafaelita. Este insigne cavalheiro, renomado crítico de arte, permitiu, ou até mesmo promoveu, que John Everett Millais, integrante do grupo que mais sucesso conseguira então, utilizasse sua esposa, Effie, como modelo. A convivência dos dois, ambos inexperientes, levou-os a se apaixonarem. Effie pediu a anulação do casamento por não consumação, pois apesar dos cinco anos de casamento, permanecia virgem, e casou-se com Millais. Em carta a seus pais, ela relatou que os alegados motivos de Ruskin, para não tomá-la como esposa, era o nojo que por ela sentia desde a primeira noite.
Para contar a história de Lizzie Siddal vou me postar a seu lado, em seu leito de morte, ouvindo-a repassar a sua vida:


2


A poesia era para mim uma alegria na vida simples que levava com minha humilde família, trabalhando na loja de chapéus de Mrs. Tozer, até o dia em que Walter Deverell ali entrou com sua mãe, pedindo a intervenção desta para convencer-me a posar para ele, imergindo-me em um mundo de poetas e pintores. Não poderia saber que aquela seria apenas a primeira vez que seria retratada, deixando minha imagem para a posteridade. Ele trabalhava em uma tela que retratava o episódio de Noite de Reis (Twelfth Night) de Shakespeare, e nela fui Viola, travestido como Cesário, sentada a contemplar o amor dos seus segredos, o Duque seu senhor. Hoje, aqui deitada neste leito de amargura, posso ouvi-la a responder ao Duque:1

Walter Deverell - Twelfth Night




Duque – Pois as mulheres são como as rosas, tendo suas pétalas desabrochadas, caem no mesmo instante.

Viola São mesmo assim: pobre de mim, são mesmo assim. Morrem, quando atingem a perfeição!

(Shakespeare – Noite de Reis - Twelfth Night - Ato II, cena 4).




Fui tornada a modelo ideal para aquele grupo que se intitulava Irmandade Pré-Rafaelita, e elevada ao conhecimento da aristocracia nos salões de exposição da Academia, ainda no papel de outra personagem de Shakespeare, a frágil e doce Ofélia, que ainda não sabia ter sido um meu espelho:
Há um salgueiro que cresce sobre um riacho2
Refletindo suas folhas cinzas no espelho da corrente;
Para lá ela foi com fantásticas guirlandas
De ranúnculos, urtigas, margaridas e longas orquídeas,
Popularmente chamadas por um nome mais grosseiro
E que nossas aias chamam de dedos-de-defuntos:
Lá, nos ramos pendentes, a sua grinalda de ervas
Escalando para pendurar, um galho invejoso quebrou;
Então, ela e os seus troféus de ervas
Caíram no riacho de lágrimas. Suas roupas se espalharam,
E, como uma sereia, por um tempo a ampararam:
Enquanto ela cantava trechos de velhas canções,
Como se inconsciente de sua própria desgraça
Ou como uma criatura nativa e acostumada
A esse elemento; mas isso não poderia durar,
Pois suas vestes, encharcadas com sua bebida,
Puxaram a miserável de seu leito melodioso
Para a morte enlameada.
                                                                         (A morte de Ofélia – Hamlet – Shakespeare)

Ofélia – John Everett Millais

Retratando este episódio melancólico do Hamlet, John Millais estava inconscientemente pressagiando o meu próprio, pois lhe servi de modelo para sua Ofélia. Minha saúde frágil tornou-se mais delicada ao me ver presa de uma pneumonia quando posava para a cena: buscando o realismo, permanecia imersa em uma banheira, cuja água era mantida quente por velas abaixo dela colocadas. Completamente absorto em seu trabalho, Millais não percebeu que as velas se apagavam, e, no frio invernal, adoeci. Recuperada após tratamento hospitalar, voltei ao trabalho, e o quadro tornou-se um grande sucesso desse jovem pintor da Irmandade.

Como no texto de Shakespeare, onde as flores de Ofélia fazem referências ao caráter erótico dos males de Ofélia, representando com as urtigas as dores do amor ferido, a virgindade com as margaridas e os desejos com as fálicas longas orquídeas encarnadas, vulgarmente conhecidas como dedos-de-defuntos, o meu mundo também foi abalado pela paixão que outro elemento do grupo dedicou-me: Dante Gabriel Rossetti, poeta e pintor, que obsessivamente me tornou sua modelo exclusiva, impedindo-me mesmo de posar para os demais. Imersos em nosso amor, ficamos noivos. 

Um Ano e um Dia3 (Elizabeth Siddal)
                  
Dias lentos passaram que fazem um ano
Horas lentas que fazem um dia,
Desde que eu pude ter meu primeiro amor
E tê-lo beijado do jeito antigo;
Agora as folhas verdes me tocam na face,
Querido Cristo, neste mês de maio.

Eu deito entre a relva verde alta
Que se dobra acima da minha cabeça
E encobre meu rosto consumido
Envolvendo-me em sua cama,
Terna e amorosamente,
Como relva acima do morto.

Fantasmas escuros de um mal desconhecido
Flutuam pela minha mente cansada;
As visões informes da minha vida
Passam em cortejo espectral;
Alguns param para me tocar na face,
Alguns espalham lágrimas como chuva.

Uma sombra cai ao longo da grama
E fica aos meus pés;
Uma nova face fica entre minhas mãos -
Querido Cristo, se eu pudesse chorar
Lágrimas para bloquear as folhas de verão
Quando este novo rosto eu contemplar.

Ainda é apenas a memória
De algo que eu vi
No clima de verão de sonho,
Quando as folhas verdes nele vieram:
A sombra da face do meu grande amor,
Tão distante e estranho ele parece.

O rio sempre correndo
Entre seu leito de grama,
As vozes de mil pássaros
Pendentes sobre a minha cabeça
Trarão para mim um sonho mais triste
Quando este triste sonho estiver morto.

Um silêncio cai sobre meu coração
E emudece toda sua dor.
Eu estendo minhas mãos na grama alta
E caio para dormir de novo,
Deitando vazia de todo amor
Como grão de milho batido.


Nosso casamento foi continuamente adiado, a princípio, por alegadas questões financeiras, mas a desaprovação da família de Rossetti também foi importante impedimento; posteriormente, pela minha frágil saúde. Mas nada foi empecilho para a minha entrega a um amor que me elevava ao paraíso, tirando-me da minha vida desimportante para as luzes dos salões e para as páginas das poesias. Ao longo de nossas paixões, meu amor retratou-me dezenas de vezes, e poemas apaixonantes me foram dedicados:


Luz Súbita4 Dante Gabriel Rossetti

Já estive aqui antes
Quando ou como não sei dizer:
Eu conheço a relva além da porta,
O cheiro doce e penetrante,
O som do suspiro, as luzes ao redor da margem.

Você tem sido minha antes,
Há quanto tempo não posso saber:
Mas quando aquele voo da andorinha
Seu pescoço virou assim,
Um véu caiu eu sempre o soube.

 Isso já foi assim antes?
 E não será que o voo circular do tempo
 Sempre com as nossas vidas nosso amor restaura,
 Apesar da morte,
 E dia e noite fazem uma delícia novamente?

Enquanto vivia esse amor, recebia aulas de desenho dadas pelo meu amor, e John Ruskell, o renomado crítico de arte, interessou-se a patrocinar a minha promissora iniciação na arte da pintura, reservando-me uma renda pela exclusividade de toda a minha obra.

 Lady Clare – de Elizabeth Siddal

Após longos tratamentos, minha saúde deteriorou-se muito, e o láudano foi o meu refúgio nas dores, tornando-me dependente do ópio nele contido, e, dez anos passados após penetrar inadvertidamente na irmandade, minha saúde agravada, finalmente nosso casamento foi realizado. Já era eu a flor murcha que Viola lamentou, sofrida pela dor física e pela inconstância do meu amado, e roída pelos ciúmes de suas sempre belas modelos, pus-me a escrever:

Amor Morto5 Elizabeth Siddal
                  
Oh, nunca chore por amor que está morto
Pois o amor raramente é verdadeiro,
Mas mude sua forma de azul para vermelho
Do vermelho mais brilhante ao azul,
O amor nasceu para uma morte prematura
E é tão raro ser de verdade.

Então não porte nenhum sorriso no seu rosto bonito
Para ganhar o suspiro mais profundo.
As palavras mais bonitas nos lábios mais verdadeiros
Passam e certamente morrem
E você vai ficar sozinha, minha querida,
Quando os ventos de inverno se aproximarem.

Querida, nunca chore pelo que não pode ser,
Pelo que Deus não deu.
Se o mero sonho do amor fosse verdadeiro
Então, querida, deveríamos estar no céu,
E isto é só a Terra, minha querida,
Onde o amor verdadeiro não é dado.

 Ladies' Lament from the Ballad of Sir Patrick Spens – Lizzie Siddal

A Passagem do Amor6 Elizabeth Siddal

Oh, Deus, perdoa-me por ter elevada
Minha vida a um sonho de amor!
Poderão as lágrimas de angústia lavar
A paixão do meu sangue?

O amor cantava em meu coração a alegria,
Meus pulsos vibravam na melodia;
As rajadas frias do inverno explodiam
Sobre mim como ventos suaves de junho.

O amor flutuava nas névoas da manhã
E descansava nos raios do sol;
Ele acalmava o fragor da tempestade
E iluminava todos os meus caminhos.

O amor mantinha-me alegre durante o dia
E sempre sonhando durante a noite;
Nada de mal poderia acontecer-me,
Pois meu espírito era leve demais.

Oh, Céu, ajuda meu tolo coração
Que não cuidou do passar do tempo,
Que arrastou meu ídolo do seu lugar
E destruiu totalmente seu santuário.

 ElizabethSiddal - Rossetti

Amor e Ódio7 Elizabeth Siddal
                   
Não abras teus lábios, insensato,
Nem me voltes a tua face;
As rajadas do céu te derrubarão
Antes que eu te dê a graça.

Tira a tua sombra do meu caminho,
Nem te voltes para mim a rezar;
Os ventos bravios podem cantar teu lamento
Antes que eu te convide a ficar.

Afasta os teus falsos olhos negros,
Nem olhes para a minha face;
Com muito amor te aborreci: agora, muito ódio
Senta tristemente em seu lugar.

Todas as mudanças passam-me como um sonho,
Eu não canto nem rezo;
E tu és como a árvore venenosa
Que roubou toda minha vida.

Rossetti - A Christmas Carol

Entre as dores, com saúde frágil sustentada pelo láudano, a minha vida de casada desenvolveu-se trazendo-me a alegria de ver crescer em mim a esperança de uma vida, um filho para esquentar a enorme tristeza que me congelava. Oh, Céu, por que me abandonaste, deixando sair de mim apenas aquele corpinho sem vida?

Ela Se Foi8 Elizabeth Siddal

Para tocar a luva em sua mão tenra,
Para ver a joia brilhar em seu anel,
Levantou meu coração em uma música repentina
Como cantam os pássaros selvagens.

Para tocar sua sombra na grama ensolarada,
Para quebrar seu caminho pela floresta escura,
Enchi toda a minha vida com tremores e lágrimas
E silêncio onde eu fiquei.

Eu vejo as sombras juntando-se em meu coração,
Eu vivo para saber que ela se foi
Foi, foi para sempre, como a pomba tenra
Que sozinha deixou a arca.

Dois anos vivi o meu enregelante casamento, e nova gravidez me fez sorrir. Sorrir? Pobre de mim, um sorriso desesperado, afogada no láudano que se me fizera imprescindível. E imergi em novos desejos:

 Elizabeth Siddal - autoretrato
Fatigada9 Elizabeth Siddal

Teus braços fortes estão enlaçando-me, amor,
Minha cabeça está no teu peito;
Leves palavras de conforto vêm de ti,
Embora minha alma não tenha descanso.

Pois eu sou apenas uma coisa assustada
Que para sempre não poderá ser
Nada além de um pássaro cuja asa quebrada
Deve voar para longe de ti.

Eu não posso te dar o amor
Que eu dei tempos atrás,
O amor que mudou e me derrubou
Na neve ofuscante.

Eu posso apenas dar um coração falho
E olhos fatigados de dor,
Uma boca murcha que não pode sorrir
E que não poderá rir novamente.

Porém, mantém teus braços enlaçando-me, amor,
Até eu cair no sono;
Então me deixa, não digas adeus
Para que eu não acorde, e chore.


E aqui estou, como a Ofélia me afogo neste frasco de láudano. Perdoa, Senhor, o meu cansaço.

Morte Prematura10 Elizabeth Siddal

Oh, não sofras com as tuas lágrimas amargas
A vida que passa depressa;
As portas do céu se abrirão largas
E me farão entrar por fim.

Então senta-te mansamente ao meu lado
E vê minha jovem vida fugir;
Então, solene paz de santa morte
Virá depressa a ti.

Mas, amor verdadeiro, procura-me na multidão
De espíritos flutuando,
E eu vou te levar pelas mãos
E te saberei meu por fim.


Senhor, posso ir?11 Elizabeth Siddal

Vida e noite estão caindo de mim,
Morte e dia estão começando em mim,
Onde quer que meus passos andem,
Vida é um caminho pedrento de aflição.
Senhor, tenho que querer ir?

Corações santos sempre estão perto de mim,
Olhos sem alma deixaram de confortar-me:
Senhor, posso ir a Vós?

Vida e juventude e clima de verão
Não trazem alegria ao meu coração.
Senhor, tirai-me do caminho pedrento da vida!
Olhos amados, mortos há muito, olham por mim:
Morte sagrada está a esperar-me –
Senhor, posso ir hoje?

Minha vida exterior sente-se triste e quieta
Como lírios em um riacho congelado;
Estou olhando firmemente para o sol,
Senhor, Senhor, lembrando aquele que perdi.
Oh, Senhor, lembrai-Vos de mim!

Como é a terra desconhecida?
Andam os mortos de mãos dadas?
Deus, dai-me confiança em Vós.

Apertamos mãos mortas e trememos
Com alegria sem fim para sempre?
Anjos brancos olham e passeiam
Pelas margens onde os lírios se inclinam?
Senhor, não sabemos como isso pode ser:
Bom Senhor, nossa fé em Vós depositamos -
Oh, Deus, lembrai-Vos de mim.


3

 
Beata Beatrix - Rosseti



Às vésperas do casamento, preocupado com o estado de saúde de Lizzie, Rossetti escreveu a seu irmão William Michael Rossetti:12

"Se eu tivesse que perdê-la agora, não sei que efeito isto teria em minha mente, sobrecarregado da responsabilidade de muito trabalho, já comissionado e pago, que ainda tem que ser realizado. A licença necessária (para o casamento) já temos, e eu tenho fé em Deus que seremos permitidos de usá-la. Se não, eu teria muito a sofrer, e (o que é pior) muito a reprovar-me, o que eu não sei como poderá terminar para mim”.

Dois anos depois, ao voltar para casa, Rossetti a encontrou desacordada por uma excessiva dose de láudano. Um inquérito foi aberto e nada pôde ser apurado se o excesso do remédio foi proposital. Presume-se que ela tenha deixado um bilhete que Rossetti destruiu, para que o suicídio não fosse impedimento para enterrá-la em campo santo.

Com a morte de Lizzie, suas aflições se tornaram realidade. Culpa e remorsos, insônia e depressão aliaram-se para torná-lo hipocondríaco, entregando-se à bebida e tornando-se viciado em cloral, um narcótico também conhecido como “gotas de nocaute”. Diz-se que ele via Lizzie todos os dias, e sessões de mediunidade foram feitas para com ela entrar em contato.

Embora Lizzie tenha sido a principal musa de Rossetti, muitas outras belas mulheres passaram com insistência por suas telas, e ainda teve uma outra grande paixão por Jane Morris, esposa de William Morris, seu amigo da Irmandade, que por algum tempo trouxe-o de novo à vida.



The Beloved (Marie Ford) - Rossetti

 Dante Gabriel Rossetti faleceu em 1882, vinte anos após Lizzie.

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Notas: textos em inglês utilizados para fazer as traduções:

1. Twelfth Night – Act II – scene 4:
Duke – For women are as roses, whose fair flower
            Being once display’d, doth fall that very hour.

Viola – And so they are: alas, that they are so;
           To die, even when they to perfection grow!


2. Hamlet – Act IV – scene 7:
There is a willow grows aslant a brook,
That shows his hoar leaves in the glassy stream;
There with fantastic garlands did she come
Of crow-flowers, nettles, daisies, and long purples
That liberal shepherds give a grosser name,
But our cold maids do dead men's fingers call them:
There, on the pendent boughs her coronet weeds
Clambering to hang, an envious sliver broke;
When down her weedy trophies and herself
Fell in the weeping brook. Her clothes spread wide;
And, mermaid-like, awhile they bore her up:
Which time she chanted snatches of old tunes;
As one incapable of her own distress,
Or like a creature native and indued
Unto that element: but long it could not be
Till that her garments, heavy with their drink,
Pull'd the poor wretch from her melodious lay
To muddy death.


3. Elizabeth Siddal: A Year And A Day

Slow days have passed that make a year,
Slow hours that make a day,
Since I could take my first dear love
And kiss him the old way;
Yet the green leaves touch me on the cheek,
Dear Christ, this month of May.

I lie among the tall green grass
That bends above my head
And covers up my wasted face
And folds me in its bed
Tenderly and lovingly
Like grass above the dead.

Dim phantoms of an unknown ill
Float through my tired brain;
The unformed visions of my life
Pass by in ghostly train;
Some pause to touch me on the cheek,
Some scatter tears like rain.

A shadow falls along the grass
And lingers at my feet;
A new face lies between my hands --
Dear Christ, if I could weep
Tears to shut out the summer leaves
When this new face I greet.

Still it is but the memory
Of something I have seen
In the dreamy summer weather
When the green leaves came between:
The shadow of my dear love’s face --
So far and strange it seems.

The river ever running down
Between its grassy bed,
The voices of a thousand birds
That clang above my head,
Shall bring to me a sadder dream
When this sad dream is dead.

A silence falls upon my heart
And hushes all its pain.
I stretch my hands in the long grass
And fall to sleep again,
There to lie empty of all love
Like beaten corn of grain.


4. Dante Gabriel Rossetti: Sudden Light

I have been here before,
But when or how I cannot tell:
I know the grass beyond the door,
The sweet keen smell,
The sighing sound, the lights around the shore.

You have been mine before,—
How long ago I may not know:
But just when at that swallow's soar
Your neck turned so,
Some veil did fall,—I knew it all of yore.

Has this been thus before?
And shall not thus time's eddying flight
Still with our lives our love restore
In death's despite,
And day and night yield one delight once more?


5. Elizabeth Siddal: Dead Love

Oh never weep for love that’s dead
Since love is seldom true
But changes his fashion from blue to red,
From brightest red to blue,
And love was born to an early death
And is so seldom true.

Then harbour no smile on your bonny face
To win the deepest sigh.
The fairest words on truest lips
Pass on and surely die,
And you will stand alone, my dear,
When wintry winds draw nigh.

Sweet, never weep for what cannot be,
For this God has not given.
If the merest dream of love were true
Then, sweet, we should be in heaven,
And this is only earth, my dear,
Where true love is not given.


6. Elizabeth Siddal: The Passing Of Love

O God, forgive me that I ranged
My live into a dream of love!
Will tears of anguish never wash
The passion from my blood?

Love kept my heart in a song of joy,
My pulses quivered to the tune;
The coldest blasts of winter blew
Upon me like sweet airs in June.

Love floated on the mists of morn
And rested on the sunset’s rays;
He calmed the thunder of the storm
And lighted all my ways.

Love held me joyful through the day
And dreaming ever through the night;
No evil thing could come to me,
My spirit was so light.

O Heaven help my foolish heart
Which heeded not the passing time
That dragged my idol from its place
And shattered all its shrine.


7. Elizabeth Siddal: Love And Hate

Open not thy lips, thou foolish one,
Nor turn to me thy face;
The blasts of heaven shall strike thee down
Ere I will give thee grace.

Take thou thy shadow from my path,
Nor turn to me and pray;
The wild wild winds thy dirge may sing
Ere I will bid thee stay.

Turn thou away thy false dark eyes,
Nor gaze upon my face;
Great love I bore thee: now great hate
Sits grimly in its place.

All changes pass me like a dream,
I neither sing nor pray;
And thou art like the poisonous tree
That stole my life away.


8. Elizabeth Siddal: Gone

To touch the glove upon her tender hand,
To watch the jewel sparkle in her ring,
Lifted my heart into a sudden song
As when the wild birds sing.

To touch her shadow on the sunny grass,
To break her pathway through the darkened wood,
Filled all my life with trembling and tears
And silence where I stood.

I watch the shadows gather round my heart,
I live to know that she is gone –
Gone gone for ever, like the tender dove
That left the Ark alone.


9. Elizabeth Siddal: Worn Out

Thy strong arms are around me, love
My head is on thy breast;
Low words of comfort come from thee
Yet my soul has no rest.

For I am but a startled thing
Nor can I ever be
Aught save a bird whose broken wing
Must fly away from thee.

I cannot give to thee the love
I gave so long ago,
The love that turned and struck me down
Amid the blinding snow.

I can but give a failing heart
And weary eyes of pain,
A faded mouth that cannot smile
And may not laugh again.

Yet keep thine arms around me, love,
Until I fall to sleep;
Then leave me, saying no goodbye
Lest I might wake, and weep.


10. Elizabeth Siddal: Early Death

Oh grieve not with thy bitter tears
The life that passes fast;
The gates of heaven will open wide
And take me in at last.

Then sit down meekly at my side
And watch my young life flee;
Then solemn peace of holy death
Come quickly unto thee.

But true love, seek me in the throng
Of spirits floating past,
And I will take thee by the hands
And know thee mine at last.


11. Elizabeth Siddal: Lord May I Come?

Life and night are falling from me,
Death and day are opening on me,
Wherever my footsteps come and go,
Life is a stony way of woe.
Lord, have I long to go?

Hallow hearts are ever near me,
Soulless eyes have ceased to cheer me:
Lord may I come to thee?

Life and youth and summer weather
To my heart no joy can gather.
Lord, lift me from life’s stony way!
Loved eyes long closed in death watch for me:
Holy death is waiting for me –
Lord, may I come to-day?

My outward life feels sad and still
Like lilies in a frozen rill;
I am gazing upwards to the sun,
Lord, Lord, remembering my lost one.
O Lord, remember me!

How is it in the unknown land?
Do the dead wander hand in hand?
God, give me trust in thee.

Do we clasp dead hands and quiver
With an endless joy for ever?
Do tall white angels gaze and wend
Along the banks where lilies bend?
Lord, we know not how this may be:
Good Lord we put our faith in thee –
O God, remember me.


12 Trecho de carta de Dante Gabriel Rossetti para seu irmão:

If I were to lose her now, I do not know what effect it might have on my mind, added to the responsibility of much work, commissioned and already paid for, which still has to be done. The ordinary licence we already have, and I still trust to God we may be
enabled to use it. If not, I should have so much to grieve for, and (what is worse) so
much to reproach myself with, that I do not know how it might end for me.

-o-