Elizabeth
Siddal e os Pré-Rafaelitas
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Regina Cordium – Dante Gabriel Rossetti
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1
A Irmandade dos Pré-Rafaelitas foi um grupo de jovens artistas
que se insurgiu contra o artificialismo, como eles consideravam, da arte
acadêmica vigente nos meados do Século XIX, na Inglaterra vitoriana. O grupo pregava
um retorno à arte autêntica da Idade Média, anterior a Rafael, que retratasse a
natureza de modo simples e direto, buscando inspiração em temas religiosos e
literários. Abandonaram as cores suaves, o sombreamento, a profundidade e o uso
da perspectiva, técnica esta que a Renascença consagrara.
Em meio aos trabalhos que punham em prática suas ideias, suas
vidas foram marcadas por surpreendentes episódios, bastante propícios para fazerem
parte da minha seção de textos: História Além da Ficção.
O mais curioso dos fatos deu-se quando da morte de
Elizabeth Siddal, retratada no quadro acima por Dante Gabriel Rossetti, seu
esposo e figura de maior relevância teórica do grupo: na sua urna funerária,
ele depositou entre os seus longos cabelos, como uma dádiva de amor e devoção,
um caderno contendo os poemas que havia escrito, sem preservar cópia da grande
maioria deles; passados sete anos, após grande sucesso pela publicação de
outros poemas posteriores, e pela insistência de seu editor e de amigos,
Rossetti pediu autorização para a exumação dos seus poemas, licença que lhe foi
concedida, porém eximiu-se de estar presente nesse ato; foi relatado pelos que o executaram que o
corpo de Lizzie, como a conheciam na intimidade, estava perfeito, e que seus
longos cabelos haviam crescido ainda mais.
Outro episódio interessante foi protagonizado por John
Ruskin, patrono e defensor do grupo pré-rafaelita. Este insigne cavalheiro,
renomado crítico de arte, permitiu, ou até mesmo promoveu, que John Everett Millais,
integrante do grupo que mais sucesso conseguira então, utilizasse sua esposa, Effie,
como modelo. A convivência dos dois, ambos inexperientes, levou-os a se
apaixonarem. Effie pediu a anulação do casamento por não consumação, pois
apesar dos cinco anos de casamento, permanecia virgem, e casou-se com Millais.
Em carta a seus pais, ela relatou que os alegados motivos de Ruskin, para não tomá-la
como esposa, era o nojo que por ela sentia desde a primeira noite.
Para contar a história de Lizzie Siddal vou me postar a seu
lado, em seu leito de morte, ouvindo-a repassar a sua vida:
2
A poesia era para mim uma alegria na vida simples que
levava com minha humilde família, trabalhando na loja de chapéus de Mrs. Tozer,
até o dia em que Walter Deverell ali entrou com sua mãe, pedindo a intervenção
desta para convencer-me a posar para ele, imergindo-me em um mundo de poetas e
pintores. Não poderia saber que aquela seria apenas a primeira vez que seria
retratada, deixando minha imagem para a posteridade. Ele trabalhava em uma tela
que retratava o episódio de Noite de Reis
(Twelfth Night) de Shakespeare, e
nela fui Viola, travestido como Cesário, sentada a contemplar o amor dos seus
segredos, o Duque seu senhor. Hoje, aqui deitada neste leito de amargura, posso
ouvi-la a responder ao Duque:1
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Walter Deverell - Twelfth Night
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Duque – Pois
as mulheres são como as rosas, tendo suas pétalas desabrochadas, caem no mesmo
instante.
Viola – São mesmo
assim: pobre de mim, são mesmo assim. Morrem, quando atingem a perfeição!
(Shakespeare
– Noite de Reis - Twelfth Night - Ato II, cena 4).
Fui tornada a modelo ideal para aquele grupo que se
intitulava Irmandade Pré-Rafaelita, e elevada ao conhecimento da aristocracia
nos salões de exposição da Academia, ainda no papel de outra personagem de
Shakespeare, a frágil e doce Ofélia, que ainda não sabia ter sido um meu
espelho:
Há um salgueiro que cresce sobre um riacho2
Refletindo suas folhas cinzas no espelho
da corrente;
Para lá ela foi com fantásticas guirlandas
De ranúnculos, urtigas, margaridas e longas
orquídeas,
Popularmente chamadas por um nome mais
grosseiro
E que nossas aias chamam de dedos-de-defuntos:
Lá, nos ramos pendentes, a sua grinalda de
ervas
Escalando para pendurar, um galho invejoso
quebrou;
Então, ela e os seus troféus de ervas
Caíram no riacho de lágrimas. Suas roupas
se espalharam,
E, como uma sereia, por um tempo a ampararam:
Enquanto ela cantava trechos de velhas
canções,
Como se inconsciente de sua própria desgraça
Ou como uma criatura nativa e acostumada
A esse elemento; mas isso não poderia durar,
Pois suas vestes, encharcadas com sua
bebida,
Puxaram a miserável de seu leito melodioso
Para a morte enlameada.
(A morte de Ofélia – Hamlet – Shakespeare)
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| Ofélia – John Everett Millais |
Retratando
este episódio melancólico do Hamlet, John Millais estava inconscientemente pressagiando
o meu próprio, pois lhe servi de modelo para sua Ofélia. Minha saúde frágil
tornou-se mais delicada ao me ver presa de uma pneumonia quando posava para a cena:
buscando o realismo, permanecia imersa em uma banheira, cuja água era mantida
quente por velas abaixo dela colocadas. Completamente absorto em seu trabalho,
Millais não percebeu que as velas se apagavam, e, no frio invernal, adoeci.
Recuperada após tratamento hospitalar, voltei ao trabalho, e o quadro tornou-se
um grande sucesso desse jovem pintor da Irmandade.
Como
no texto de Shakespeare, onde as flores de Ofélia fazem referências ao caráter
erótico dos males de Ofélia, representando com as urtigas as dores do amor
ferido, a virgindade com as margaridas e os desejos com as fálicas longas
orquídeas encarnadas, vulgarmente conhecidas como dedos-de-defuntos, o meu mundo
também foi abalado pela paixão que outro elemento do grupo dedicou-me: Dante
Gabriel Rossetti, poeta e pintor, que obsessivamente me tornou sua modelo
exclusiva, impedindo-me mesmo de posar para os demais. Imersos em nosso amor, ficamos noivos.
Um Ano e um Dia3 (Elizabeth Siddal)
Dias
lentos passaram que fazem um ano
Horas
lentas que fazem um dia,
Desde que
eu pude ter meu primeiro amor
E tê-lo
beijado do jeito antigo;
Agora as
folhas verdes me tocam na face,
Querido
Cristo, neste mês de maio.
Eu deito
entre a relva verde alta
Que se
dobra acima da minha cabeça
E encobre
meu rosto consumido
Envolvendo-me
em sua cama,
Terna e
amorosamente,
Como
relva acima do morto.
Fantasmas
escuros de um mal desconhecido
Flutuam
pela minha mente cansada;
As visões
informes da minha vida
Passam em
cortejo espectral;
Alguns
param para me tocar na face,
Alguns
espalham lágrimas como chuva.
Uma
sombra cai ao longo da grama
E fica
aos meus pés;
Uma nova
face fica entre minhas mãos -
Querido
Cristo, se eu pudesse chorar
Lágrimas
para bloquear as folhas de verão
Quando
este novo rosto eu contemplar.
Ainda é
apenas a memória
De algo
que eu vi
No clima
de verão de sonho,
Quando as
folhas verdes nele vieram:
A sombra
da face do meu grande amor,
Tão
distante e estranho ele parece.
O rio
sempre correndo
Entre seu
leito de grama,
As vozes
de mil pássaros
Pendentes
sobre a minha cabeça
Trarão
para mim um sonho mais triste
Quando
este triste sonho estiver morto.
Um
silêncio cai sobre meu coração
E emudece
toda sua dor.
Eu
estendo minhas mãos na grama alta
E caio
para dormir de novo,
Deitando
vazia de todo amor
Como grão
de milho batido.
Nosso casamento foi continuamente adiado, a
princípio, por alegadas questões financeiras, mas a desaprovação da família de
Rossetti também foi importante impedimento; posteriormente, pela minha frágil
saúde. Mas nada foi empecilho para a minha entrega a um amor que me elevava ao
paraíso, tirando-me da minha vida desimportante para as luzes dos salões e para
as páginas das poesias. Ao longo de nossas paixões, meu amor retratou-me
dezenas de vezes, e poemas apaixonantes me foram dedicados:
Luz Súbita4 Dante Gabriel Rossetti
Já
estive aqui antes
Quando
ou como não sei dizer:
Eu
conheço a relva além da porta,
O
cheiro doce e penetrante,
O som
do suspiro, as luzes ao redor da margem.
Você
tem sido minha antes, —
Há
quanto tempo não posso saber:
Mas
quando aquele voo da andorinha
Seu
pescoço virou assim,
Um
véu caiu — eu sempre o soube.
Isso
já foi assim antes?
E
não será que o voo circular do tempo
Sempre
com as nossas vidas nosso amor restaura,
Apesar
da morte,
E
dia e noite fazem uma delícia novamente?
Enquanto
vivia esse amor, recebia aulas de desenho dadas pelo meu amor, e John Ruskell, o
renomado crítico de arte, interessou-se a patrocinar a minha promissora
iniciação na arte da pintura, reservando-me uma renda pela exclusividade de
toda a minha obra.
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| Lady Clare – de Elizabeth Siddal |
Após
longos tratamentos, minha saúde deteriorou-se muito, e o láudano foi o meu
refúgio nas dores, tornando-me dependente do ópio nele contido, e, dez anos passados
após penetrar inadvertidamente na irmandade, minha saúde agravada, finalmente nosso
casamento foi realizado. Já era eu a flor murcha que Viola lamentou, sofrida
pela dor física e pela inconstância do meu amado, e roída pelos ciúmes de suas
sempre belas modelos, pus-me a escrever:
Amor Morto5 Elizabeth Siddal
Oh,
nunca chore por amor que está morto
Pois
o amor raramente é verdadeiro,
Mas
mude sua forma de azul para vermelho
Do
vermelho mais brilhante ao azul,
O
amor nasceu para uma morte prematura
E
é tão raro ser de verdade.
Então
não porte nenhum sorriso no seu rosto bonito
Para
ganhar o suspiro mais profundo.
As
palavras mais bonitas nos lábios mais verdadeiros
Passam
e certamente morrem
E
você vai ficar sozinha, minha querida,
Quando
os ventos de inverno se aproximarem.
Querida,
nunca chore pelo que não pode ser,
Pelo
que Deus não deu.
Se
o mero sonho do amor fosse verdadeiro
Então,
querida, deveríamos estar no céu,
E
isto é só a Terra, minha querida,
Onde
o amor verdadeiro não é dado.
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| Ladies' Lament from the Ballad of Sir Patrick Spens – Lizzie Siddal |
A Passagem do Amor6 Elizabeth Siddal
Oh, Deus,
perdoa-me por ter elevada
Minha vida
a um sonho de amor!
Poderão
as lágrimas de angústia lavar
A paixão
do meu sangue?
O amor cantava
em meu coração a alegria,
Meus
pulsos vibravam na melodia;
As rajadas
frias do inverno explodiam
Sobre mim
como ventos suaves de junho.
O amor
flutuava nas névoas da manhã
E descansava
nos raios do sol;
Ele acalmava
o fragor da tempestade
E iluminava
todos os meus caminhos.
O amor
mantinha-me alegre durante o dia
E sempre
sonhando durante a noite;
Nada de mal
poderia acontecer-me,
Pois meu
espírito era leve demais.
Oh, Céu,
ajuda meu tolo coração
Que não cuidou
do passar do tempo,
Que
arrastou meu ídolo do seu lugar
E destruiu
totalmente seu santuário.
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| ElizabethSiddal - Rossetti |
Amor e Ódio7 Elizabeth Siddal
Não abras
teus lábios, insensato,
Nem me
voltes a tua face;
As rajadas
do céu te derrubarão
Antes que
eu te dê a graça.
Tira a
tua sombra do meu caminho,
Nem te
voltes para mim a rezar;
Os ventos
bravios podem cantar teu lamento
Antes que
eu te convide a ficar.
Afasta os
teus falsos olhos negros,
Nem olhes
para a minha face;
Com muito
amor te aborreci: agora, muito ódio
Senta tristemente
em seu lugar.
Todas as
mudanças passam-me como um sonho,
Eu não
canto nem rezo;
E tu és
como a árvore venenosa
Que
roubou toda minha vida.
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| Rossetti - A Christmas Carol |
Entre as dores, com saúde frágil sustentada pelo láudano, a minha vida
de casada desenvolveu-se trazendo-me a alegria de ver crescer em mim a
esperança de uma vida, um filho para esquentar a enorme tristeza que me
congelava. Oh, Céu, por que me abandonaste, deixando sair de mim apenas aquele
corpinho sem vida?
Ela Se Foi8 Elizabeth Siddal
Para
tocar a luva em sua mão tenra,
Para
ver a joia brilhar em seu anel,
Levantou
meu coração em uma música repentina
Como
cantam os pássaros selvagens.
Para
tocar sua sombra na grama ensolarada,
Para
quebrar seu caminho pela floresta escura,
Enchi
toda a minha vida com tremores e lágrimas
E
silêncio onde eu fiquei.
Eu
vejo as sombras juntando-se em meu coração,
Eu
vivo para saber que ela se foi –
Foi,
foi para sempre, como a pomba tenra
Que
sozinha deixou a arca.
Dois
anos vivi o meu enregelante casamento, e nova gravidez me fez sorrir. Sorrir? Pobre
de mim, um sorriso desesperado, afogada no láudano que se me fizera
imprescindível. E imergi em novos desejos:
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| Elizabeth Siddal - autoretrato |
Fatigada9 Elizabeth Siddal
Teus
braços fortes estão enlaçando-me, amor,
Minha
cabeça está no teu peito;
Leves
palavras de conforto vêm de ti,
Embora
minha alma não tenha descanso.
Pois
eu sou apenas uma coisa assustada
Que
para sempre não poderá ser
Nada
além de um pássaro cuja asa quebrada
Deve
voar para longe de ti.
Eu
não posso te dar o amor
Que
eu dei tempos atrás,
O
amor que mudou e me derrubou
Na
neve ofuscante.
Eu
posso apenas dar um coração falho
E
olhos fatigados de dor,
Uma
boca murcha que não pode sorrir
E
que não poderá rir novamente.
Porém,
mantém teus braços enlaçando-me, amor,
Até
eu cair no sono;
Então
me deixa, não digas adeus
Para
que eu não acorde, e chore.
E aqui estou, como a Ofélia me afogo neste frasco de láudano. Perdoa,
Senhor, o meu cansaço.
Morte Prematura10 Elizabeth Siddal
Oh, não
sofras com as tuas lágrimas amargas
A vida
que passa depressa;
As portas
do céu se abrirão largas
E me farão
entrar por fim.
Então
senta-te mansamente ao meu lado
E vê
minha jovem vida fugir;
Então,
solene paz de santa morte
Virá
depressa a ti.
Mas, amor
verdadeiro, procura-me na multidão
De
espíritos flutuando,
E eu vou
te levar pelas mãos
E te saberei
meu por fim.
Senhor, posso ir?11 Elizabeth Siddal
Vida e
noite estão caindo de mim,
Morte e
dia estão começando em mim,
Onde quer
que meus passos andem,
Vida é um
caminho pedrento de aflição.
Senhor,
tenho que querer ir?
Corações
santos sempre estão perto de mim,
Olhos sem
alma deixaram de confortar-me:
Senhor,
posso ir a Vós?
Vida e
juventude e clima de verão
Não
trazem alegria ao meu coração.
Senhor,
tirai-me do caminho pedrento da vida!
Olhos
amados, mortos há muito, olham por mim:
Morte
sagrada está a esperar-me –
Senhor,
posso ir hoje?
Minha
vida exterior sente-se triste e quieta
Como
lírios em um riacho congelado;
Estou
olhando firmemente para o sol,
Senhor,
Senhor, lembrando aquele que perdi.
Oh,
Senhor, lembrai-Vos de mim!
Como é a
terra desconhecida?
Andam os
mortos de mãos dadas?
Deus,
dai-me confiança em Vós.
Apertamos
mãos mortas e trememos
Com
alegria sem fim para sempre?
Anjos
brancos olham e passeiam
Pelas
margens onde os lírios se inclinam?
Senhor,
não sabemos como isso pode ser:
Bom
Senhor, nossa fé em Vós depositamos -
Oh, Deus,
lembrai-Vos de mim.
3
Às vésperas do casamento, preocupado com o estado de saúde de Lizzie, Rossetti escreveu a seu irmão William Michael Rossetti:12
"Se eu tivesse que perdê-la agora, não sei que
efeito isto teria em minha mente, sobrecarregado da responsabilidade de muito
trabalho, já comissionado e pago, que ainda tem que ser realizado. A licença
necessária (para o casamento) já temos, e eu tenho fé em Deus que seremos
permitidos de usá-la. Se não, eu teria muito a sofrer, e (o que é pior) muito a
reprovar-me, o que eu não sei como poderá terminar para mim”.
Dois anos depois, ao voltar para casa, Rossetti a
encontrou desacordada por uma excessiva dose de láudano. Um inquérito foi
aberto e nada pôde ser apurado se o excesso do remédio foi proposital.
Presume-se que ela tenha deixado um bilhete que Rossetti destruiu, para que o
suicídio não fosse impedimento para enterrá-la em campo santo.
Com a morte de Lizzie, suas aflições se tornaram
realidade. Culpa e remorsos, insônia e depressão aliaram-se para torná-lo
hipocondríaco, entregando-se à bebida e tornando-se viciado em cloral, um
narcótico também conhecido como “gotas de nocaute”. Diz-se que ele via Lizzie
todos os dias, e sessões de mediunidade foram feitas para com ela entrar em
contato.
Embora Lizzie tenha sido a principal musa de Rossetti, muitas outras
belas mulheres passaram com insistência por suas telas, e ainda teve uma outra grande
paixão por Jane Morris, esposa de William Morris, seu amigo da Irmandade, que
por algum tempo trouxe-o de novo à vida.
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| The Beloved (Marie Ford) - Rossetti |
Dante
Gabriel Rossetti faleceu em 1882, vinte anos após Lizzie.
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Notas: textos em inglês utilizados para fazer as traduções:
1. Twelfth Night – Act II – scene 4:
Duke –
For women are as roses, whose fair flower
Being once display’d, doth fall
that very hour.
Viola –
And so they are: alas, that they are so;
To die, even when they to perfection
grow!
2. Hamlet – Act IV – scene 7:
There is
a willow grows aslant a brook,
That shows his hoar leaves in the
glassy stream;
There with fantastic garlands did
she come
Of crow-flowers, nettles,
daisies, and long purples
That liberal shepherds give a
grosser name,
But our cold maids do dead men's
fingers call them:
There, on the pendent boughs her
coronet weeds
Clambering to hang, an envious
sliver broke;
When down her weedy trophies and
herself
Fell in the weeping brook. Her
clothes spread wide;
And, mermaid-like, awhile they
bore her up:
Which time she chanted snatches
of old tunes;
As one incapable of her own
distress,
Or like a creature native and
indued
Unto that element: but long it
could not be
Till that her garments, heavy
with their drink,
Pull'd the poor wretch from her
melodious lay
To muddy death.
3.
Elizabeth Siddal: A Year And
A Day
Slow days have passed that make a
year,
Slow hours that make a day,
Since I could take my first dear
love
And kiss him the old way;
Yet the green leaves touch me on
the cheek,
Dear Christ, this month of May.
I lie among the tall green grass
That bends above my head
And covers up my wasted face
And folds me in its bed
Tenderly and lovingly
Like grass above the dead.
Dim phantoms of an unknown ill
Float through my tired brain;
The unformed visions of my life
Pass by in ghostly train;
Some pause to touch me on the
cheek,
Some scatter tears like rain.
A shadow falls along the grass
And lingers at my feet;
A new face lies between my hands
--
Dear Christ, if I could weep
Tears to shut out the summer
leaves
When this new face I greet.
Still it is but the memory
Of something I have seen
In the dreamy summer weather
When the green leaves came
between:
The shadow of my dear love’s face
--
So far and strange it seems.
The river ever running down
Between its grassy bed,
The voices of a thousand birds
That clang above my head,
Shall bring to me a sadder dream
When this sad dream is dead.
A silence falls upon my heart
And hushes all its pain.
I stretch my hands in the long
grass
And fall to sleep again,
There to lie empty of all love
Like beaten corn of grain.
4. Dante
Gabriel Rossetti: Sudden
Light
I have been here before,
But when or how I cannot tell:
I know the grass beyond the door,
The sweet keen smell,
The sighing sound, the lights
around the shore.
You have been mine before,—
How long ago I may not know:
But just when at that swallow's
soar
Your neck turned so,
Some veil did fall,—I knew it all
of yore.
Has this been thus before?
And shall not thus time's eddying
flight
Still with our lives our love
restore
In death's despite,
And day and night yield one
delight once more?
5.
Elizabeth Siddal: Dead Love
Oh never weep for love that’s
dead
Since love is seldom true
But changes his fashion from blue
to red,
From brightest red to blue,
And love was born to an early
death
And is so seldom true.
Then harbour no smile on your
bonny face
To win the deepest sigh.
The fairest words on truest lips
Pass on and surely die,
And you will stand alone, my
dear,
When wintry winds draw nigh.
Sweet, never weep for what cannot
be,
For this God has not given.
If the merest dream of love were
true
Then, sweet, we should be in
heaven,
And this is only earth, my dear,
Where true love is not given.
6.
Elizabeth Siddal: The Passing Of Love
O God, forgive me that I ranged
My live into a dream of love!
Will tears of anguish never wash
The passion from my blood?
Love kept my heart in a song of
joy,
My pulses quivered to the tune;
The coldest blasts of winter blew
Upon me like sweet airs in June.
Love floated on the mists of morn
And rested on the sunset’s rays;
He calmed the thunder of the
storm
And lighted all my ways.
Love held me joyful through the
day
And dreaming ever through the
night;
No evil thing could come to me,
My spirit was so light.
O Heaven help my foolish heart
Which heeded not the passing time
That dragged my idol from its
place
And shattered all its shrine.
7.
Elizabeth Siddal: Love And Hate
Open not thy lips, thou foolish
one,
Nor turn to me thy face;
The blasts of heaven shall strike
thee down
Ere I will give thee grace.
Take thou thy shadow from my
path,
Nor turn to me and pray;
The wild wild winds thy dirge may
sing
Ere I will bid thee stay.
Turn thou away thy false dark
eyes,
Nor gaze upon my face;
Great love I bore thee: now great
hate
Sits grimly in its place.
All changes pass me like a dream,
I neither sing nor pray;
And thou art like the poisonous
tree
That stole my life away.
8.
Elizabeth Siddal: Gone
To touch the glove upon her
tender hand,
To watch the jewel sparkle in her
ring,
Lifted my heart into a sudden
song
As when the wild birds sing.
To touch her shadow on the sunny
grass,
To break her pathway through the
darkened wood,
Filled all my life with trembling
and tears
And silence where I stood.
I watch the shadows gather round
my heart,
I live to know that she is gone –
Gone gone for ever, like the
tender dove
That left the Ark alone.
9.
Elizabeth Siddal: Worn Out
Thy strong arms are around me,
love
My head is on thy breast;
Low words of comfort come from
thee
Yet my soul has no rest.
For I am but a startled thing
Nor can I ever be
Aught save a bird whose broken
wing
Must fly away from thee.
I cannot give to thee the love
I gave so long ago,
The love that turned and struck
me down
Amid the blinding snow.
I can but give a failing heart
And weary eyes of pain,
A faded mouth that cannot smile
And may not laugh again.
Yet keep thine arms around me,
love,
Until I fall to sleep;
Then leave me, saying no goodbye
Lest I might wake, and weep.
10.
Elizabeth Siddal: Early Death
Oh grieve not with thy bitter
tears
The life that passes fast;
The gates of heaven will open
wide
And take me in at last.
Then sit down meekly at my side
And watch my young life flee;
Then solemn peace of holy death
Come quickly unto thee.
But true love, seek me in the
throng
Of spirits floating past,
And I will take thee by the hands
And know thee mine at last.
11.
Elizabeth Siddal: Lord May I Come?
Life and night are falling from me,
Death and day are opening on me,
Wherever my footsteps come and
go,
Life is a stony way of woe.
Lord, have I long to go?
Hallow hearts are ever near me,
Soulless eyes have ceased to
cheer me:
Lord may I come to thee?
Life and youth and summer weather
To my heart no joy can gather.
Lord, lift me from life’s stony
way!
Loved eyes long closed in death
watch for me:
Holy death is waiting for me –
Lord, may I come to-day?
My outward life feels sad and
still
Like lilies in a frozen rill;
I am gazing upwards to the sun,
Lord, Lord, remembering my lost
one.
O Lord, remember me!
How is it in the unknown land?
Do the dead wander hand in hand?
God, give me trust in thee.
Do we clasp dead hands and quiver
With an endless joy for ever?
Do tall white angels gaze and
wend
Along the banks where lilies
bend?
Lord, we know not how this may
be:
Good Lord we put our faith in
thee –
O God, remember me.
12
Trecho de carta de Dante Gabriel Rossetti para seu irmão:
If I
were to lose her now, I do not know what effect it might have on my mind, added
to the responsibility of much work, commissioned and already paid for, which
still has to be done. The ordinary licence we already have, and I still trust
to God we may be
enabled to use it. If not, I should have so much to grieve for, and (what is worse) so
much to reproach myself with, that I do not know how it might end for me.
enabled to use it. If not, I should have so much to grieve for, and (what is worse) so
much to reproach myself with, that I do not know how it might end for me.
-o-










