Anunciação
Maria cumpria suas tarefas com muita seriedade. Até demais,
pois lhe diziam que não precisava ser tão exagerada em cuidar de todos os
detalhes. Mesmo nos seus momentos de folga, ela se esforçava para fazer o seu
lazer o mais relaxante e gostoso, foi por isto que, quando veio a saber de um
grande sábio vidente, resolveu procurá-lo para saber se o seu futuro lhe traria
as alegrias dos seus sonhos, também sonhados com muitos cuidados.
Não era longe de sua morada o lugar onde o sábio atendia
aos curiosos e perdidos, ficava na clareira larga da reserva florestal que se
estendia por ali.
Querendo aproveitar a sua folga, Maria foi procurar o
sábio. Encheu-se de esperança ao chegar em sua cabana. O sábio lhe perguntou a
que vinha, e ela lhe disse de sua vontade de saber de seus sonhos, e esperava
que ele lhe fizesse a anunciação do mais belo deles.
– De sonhos não sei te dizer, podes sonhar como queiras,
mas vejo que o teu amanhã será de muito apuro com teus trabalhos e receberás
muitos elogios. Vejo, também, que um novo hábito aparecerá em tua vida, pois
amanhã estarás aqui outra vez.
Maria não perdeu as esperanças, voltou para casa imaginando
que no amanhã o sábio lhe poderia revelar algo que os seus sonhos queriam.
No dia seguinte, na hora de sua folga, Maria dirigiu-se
novamente para a floresta. O sábio a recebeu sem nenhuma surpresa e lhe
perguntou a que vinha.
Maria não falou de sonhos, disse que queria saber o que a
vida lhe reservaria.
– Da vida te posso dizer que amanhã será um novo dia, faz o
teu trabalho com a costumeira maestria, e, amanhã, quem sabe a vida te sorria.
A esperança de Maria era um vício, nada lhe faria desistir
dos seus sonhos.
Amanhã, Maria fugia à floresta para ouvir o sábio lhe falar
do amanhã.
Amanhã, Maria corria à floresta para ver o sábio e saber do
amanhã.
Assim, dia após dia, Maria ouvia os elogios e as
possibilidades do amanhã. Já estava tão habituada com o esperar, que não se
dava conta do vento a soprar o tempo.
Até que um dia, ao chegar na clareira da floresta, não
encontrou o sábio nem a cabana, nada por ali havia do que estava acostumada.
Maria se desesperou, que seria do seu amanhã?
Maria não voltou para casa, perdeu-se na floresta. Não mais
se soube de Maria nem do seu amanhã.
-o-

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