quinta-feira, 8 de junho de 2017

Festival da Canção de Miracema - Como tudo começou?


Parte 0






Li o relato do Gilson Coimbra sobre o Festival da Canção de Miracema e deparei-me com esta frase: “Como começou, no fundo...no fundo...eu não sei”. Não sabia que a história estivesse tão perdida e acho que posso trazer um pouco de luz sobre o 1º Festival, embora muita coisa já esteja apagada da minha memória, principalmente nomes. Peço desculpas pelos nomes perdidos, e, mais ainda, pelas pessoas esquecidas. Estou usando o título do relato do Gilson e como ele fez as partes I e II, numerei esta como 0.

Naquele ano, 1969, entrei no 1º científico do Colégio N. Sra. das Graças. O presidente do GEAO, Grêmio Estudantil Alberto de Oliveira, era o Carlos Luiz Moreira. Certo dia estávamos conversando, e eu reclamei um pouco da falta de atividade do Grêmio, que basicamente estava limitada aos bailinhos. Eu estivera em Itaperuna e presenciara o festival lá promovido pelo Colégio (se não me engano no nome) São José, e perguntei ao Carlos Luiz: por que o Grêmio não promovia um festival?

A resposta foi imediata: entusiasmado com a ideia, ele me chamou para irmos conversar com o Prof. Darcy, que também acolheu a ideia com satisfação e disse-nos que levaria a proposta à diretoria da escola, já afirmando que seria unicamente por burocracia. Ali mesmo, os dois resolveram admitir-me na diretoria do Grêmio para poder já trabalhar pelo festival. A diretoria do GEAO, pelo que me lembro, contava também com o Zé Cristóvão e, ainda, uma bela aluna do 2º ou 3º ano, cujo nome parece-me fosse Ana e era bem mais madura que os meus escassos quinze anos; ela teve muita ação em buscar auxílio de colegas seus que eram ex-alunos.

Começamos a divulgar a ideia contando com o máximo empenho do Prof. Darcy e com a ajuda de alguns professores, com destaque para o Prof. Ulisses. À medida que os ex-alunos foram tomando conhecimento, muitos apareceram prontificando-se para ajudar. Alguns que me recordo que muito trabalharam foram o Dua, o Fernando Nascimento, o Afonso Leitão, o João, o Miguel (que tinha um apelido que não se podia declinar sob pena de ganhar uns sopapos), e uma moça, do qual o nome também desapareceu, que foi minha vizinha na Rua da Capivara, pois morou num sobrado em frente à serraria do Suquinha; esta foi das mais ativas, buscando recursos financeiros para as despesas e para os prêmios.

E tudo foi ganhando uma proporção muito além da intenção inicial; os prêmios começaram a atrair a atenção, tanto que o Zé Cristóvão, que até então nem se sabia um músico, em uma das reuniões entusiasmou-se e decidiu que ele também ia participar, e o fez com bastante sucesso.

O grande mérito de toda a organização foi do Prof. Darcy, que supria toda a nossa falta de experiência, e, praticamente, o Grêmio perdeu o comando da situação. E o apoio do José Itamar de Freitas, diretor do Fantástico na época, foi fundamental para o sucesso.

Lembro-me bem nitidamente de um episódio insólito a respeito das músicas selecionadas. As músicas inscritas não eram muitas, e, na reunião que fizemos para a escolha das músicas que seriam levadas ao público, cortamos algumas consideradas fracas. O Carlos Gualter havia inscrito três músicas (acho que foi o limite que estabelecemos por pessoa, senão ele dominaria o festival) e uma de suas músicas foi eliminada: o Darcy, usando toda a sua conhecida democracia, achou que aquela não era muito propícia para um festival (eu não sabia que existiam músicas com tais características); ele achou-a um tanto melancólica, arrastada, e eliminou-a. Não me lembro o motivo de ter sido eu a sofrer a indignação do Carlos Gualter, e se eu estava sozinho, mas ele descarregou sua cólera dizendo que não sabíamos nada de música, que aquela era justamente a melhor das três. Nem mais sei se eu achava se ele tinha razão ou não, mas para ele aquela música era muito especial, pois era uma homenagem a sua mãe. Enfim, saí ou saímos inteiros do quiproquó.

Depois foi aquela festa maravilhosa no Cine XV, palco que no início nem imaginávamos que poderia ser usado. Casa cheia, um grande festival. Dos vencedores, lembro pouca coisa, o Adilson Dutra já escreveu um pouco sobre eles e da sua vitória como intérprete.

Foi minha única participação nos festivais, pois no início do ano seguinte parti para Belo Horizonte, para estudar e trabalhar, e fiquei muito afastado da cidade; dos festivais seguintes, devido ao grande sucesso, tive apenas algumas notícias pela televisão.

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Mais um grande relato sobre o Festival pode ser lido no blog Moinho de Paz, do Passarinho, sob o título

CLAREANDO O "TRAVESSO" TRAVASSOS






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