Biografia
(dos
seis anos do Marco Antônio)
Menino pequeno
pequeno menino
mal sabe sentar,
com olhos e mãos
e dedos travessos
do computador
tirou o (h)agá,
queria talvez
fazer pra mamãe
uma boa cadeira
para ela sentar?
Menino pequeno
pequeno menino
já sabe andar
com passos incertos
deixando nas pernas
dodóis e verdores
das trilhas das artes
que não marcam dores,
um choro tão breve -
levanta intrépido
de novo feliz
a contagiar.
Menino pequeno
pequeno menino
foi num consultório
os olhos testar:
- Já conhece as letras?
- Sei todas, doutor.
O moço duvida
mas vai consultar.
- Pelos seus bons olhos
e o muito saber
vou com alegria
o felicitar.
Menino pequeno
pequeno menino
o álbum da copa
foi colecionar,
o moço da banca:
- Você já tem essa?
- Já, pois o Equador
todinho já tenho.
O moço em estupor:
- Quantos anos tens?
- Três - devolve o miúdo.
E o moço aberto
com sorriso atônito:
- Que guri esperto!
Menino pequeno
pequeno menino
na mesa do bar
sem mais nem porquê
só para implicar
soltou uma ofensa:
- Eduardo Cunha!
De onde saiu
de boca tão tenra
tamanha injúria
quem pode explicar?
Menino pequeno
pequeno menino
gosta de jogar
de super-herói
com socos e chutes
a distribuir.
Mamãe a ralhar:
- Não pode bater,
não pode chutar.
Ela não percebe
que é só o brincar.
Menino pequeno
pequeno menino
na volta da escola:
- O que aprendeu?
- Nada aprendi.
- Então como pode
saber o abc?
Já sabe contar
somar, dividir,
lê tudo o que quer
escreve também,
menino pequeno
de tudo mais gosta
é mesmo implicar.
Menino pequeno
pequeno menino
tem olho de peixe,
não gosta de sono,
viver é a deixa,
dormir pra que serve?
sete horas da noite
já se emburrece,
um beijo e boa noite
nem pense, não dá,
sorriso maroto
só pra provocar.
Menino pequeno
pequeno menino
menino tão grande
em meu terno olhar.
-o-
Marco Antônio muito esperto esse menino.
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