Eros e Psiquê – Apuleio
Esta não é propriamente uma crônica,
vou apenas transcrever, resumidamente, a estória de Eros e Psiquê contada por
Apuleio, escritor latino do segundo século de nossa era, que por sua vez buscou
sua fonte em mitos gregos antigos. O texto que utilizei como fonte foi a
tradução do latim feita por Ruth Guimarães, do livro O Asno de Ouro. Em
próxima crônica farei um comentário sobre esta fábula, pretendendo transmitir o
tanto que ela me encanta. (link para o livro
https://magiapdf.files.wordpress.com/2013/11/lucio-apuleio-o-asno-de-ouro.pdf)
Como o livro foi escrito em latim,
os nomes dos deuses serão apresentados como na tradição romana, exceto o nome
de Eros, por ser este mais apropriado para falar do deus, já que o nome latino
Cupido está para nós muito associado ao menininho alado, descaracterizando de
certa forma o nome do deus.
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| Eros e Psiquê - Anton van Dick |
***
Havia em certa cidade um rei com
três filhas de extraordinária beleza. Embora fossem as duas mais velhas de beleza
incomum, na mais nova das três, Psiquê, a beleza excedia a possibilidade da
linguagem humana.
A fama de tal virgem espalhou-se
pelas províncias, e logo inumeráveis jovens enfrentavam os perigos dos caminhos
para admirar a nova Vênus; dizia-se que a deusa, nascida da espuma do azul dos
mares, dignara-se a misturar-se à sociedade humana e, assim, os templos da
verdadeira deusa foram negligenciados e permaneciam vazios; trocavam-na pela
mortal a quem passaram a prestar culto e reverenciar.
À Vênus não passou incólume tal
afronta ao ver suas honrarias transferidas para uma simples mortal, profanadas
pelo contato com imundície terrestre, e com indignada aleivosia a deusa
prometeu-lhe: “Poderei, com essa mesma beleza à qual ela não tem direito, fazer
com que se arrependa”. Chamando seu irrequieto filho, Eros, levou-o àquela
cidade onde apontou a moça, instigando o malcriado moleque alado com estas palavras
após contar-lhe sobre o confronto de belezas: “Pelos laços do amor materno,
vinga aquela que te deu à luz, mas que seja uma vingança completa. Ela terá de
apaixonar-se pelo mais horrendo dos homens, tão abjeto que no mundo inteiro não
se encontre miséria que a sua compare”.
Mas apesar de toda a sua beleza,
Psiquê não tirava nenhum proveito dos seus encantos, ninguém se apresentava
para pedir a sua mão; admirava-se a sua face de deusa, mas era como a uma
estátua, uma obra de arte perfeita. Tornada assim solitária, doente e com a
alma dilacerada, Psiquê odeia sua beleza. Seu pai, desconfiado do ódio dos céus
pela beleza da filha, procura o oráculo de Apolo de Mileto e o poderoso deus
responde com estes versos:
Sobre o rochedo escarpado
suntuosamente
enfeitada,
expõe, rei, a tua
filha,
para núpcias de morte.
Então, ó rei, não
esperes
para teu genro, criaturas
originadas de mortal estirpe,
mas um monstro cruel e viperino,
que voa pelos ares.
Feroz e mau, não poupa ninguém,
leva por toda parte o fogo e o ferro
e faz tremer a Júpiter,
e é o terror de todos os deuses,
e apavora até as águas do inferno,
e inspira terror às trevas do Estige.
Assim que ouviu o oráculo, o rei caiu em tristeza e o
reino se tornou luto e lamentações, mas a necessidade de obedecer às ordens dos
céus faz com que Psiquê se entregue às núpcias de morte. Um cortejo fúnebre se
forma para levá-la ao rochedo e, vendo a tristeza dos pais, Psiquê exorta-lhes:
“Por que infligir à vossa velhice o suplício de contínuo pranto? Aí está para
vós o prêmio glorioso de minha egrégia formosura. Hoje eu compreendo, hoje eu
vejo, foi o nome de Vênus, só, que me perdeu. Levai-me logo, tenho pressa de consumar
essa feliz união, tenho pressa de ver o nobre esposo. Para que adiar, para que
me furtar ao encontro daquele que nasceu para a ruína do Universo?”.
Levada ao alto do rochedo indicado
pelo oráculo, Psiquê foi deixada só, apavorada e trêmula, não parando de
chorar. O doce hálito do vento Zéfiro, caricioso, levantou a virgem com um
movimento suave e a levou docemente, depositando-a sobre a relva macia do vale
no pé da montanha. Nesse lugar adorável adormeceu.
Restaurada pelo sono, Psiquê penetra
no bosque que se descortinava a sua frente, encontrando em seu interior um
palácio principesco, que não fora construído por mãos humanas, mas por artes
divinas. Penetrando no suntuoso palácio ela se deslumbra com sua magnificência
e logo ouve uma voz, destituída de corpo, que lhe diz que tudo aquilo lhe
pertencia e que as vozes são de suas criadas, que tudo fariam para servi-la com
a maior dedicação.
Após um dia de paz e lauto a noite
chega e Psiquê fica apreensiva por sua virgindade, temendo a chegada do
desconhecido esposo. Noite alta chega o misterioso consorte e toma-a como
mulher, mas antes do amanhecer desaparece. E assim os dias escoavam num paraíso
para os sentidos durante o dia e de amor nas noites. Um dia o esposo lhe diz
que suas irmãs a procuravam, mas que ela não as atendesse, pois um perigo
mortal a ameaçava: “Vela e guarda-te cuidadosamente, eis o meu aviso”.
Psiquê concordou, mas durante o dia
sua solidão a fez cair em prostração. Através do choro Psiquê consegue que o
marido atenda seu desejo de rever as irmãs e permita-lhe também presenteá-las
com ouro e jóias, mas este a advertiu de não se deixar levar pela curiosidade
sacrílega sobre sua aparência, pois isto lhe causaria a ruína e nunca mais desfrutaria
de seus abraços. Psiquê lhe jurou amor eterno e as irmãs lhe foram conduzidas
pelo Zéfiro do mesmo modo que ela o fora.
Abaladas com tanto fausto e pela felicidade
da irmã, e embora cumuladas de riquezas, as duas, inchadas de inveja, decidem
vingar-se na irmã da vida insípida que levavam. Ocultaram dos pais o encontro e
fingiram-se tomadas de desespero pelo luto enquanto preparavam uma armadilha.
O esposo torna a advertir Psiquê
sobre as malévolas bruxas e reitera que nunca mais veria o seu rosto se o
contemplasse uma única vez, e que sua bondade inata a colocava em risco frente
a tanta maldade. E disse-lhe, ainda: “Nossa família se acrescenta, gera-se uma
criança em seu útero; divina será se souberes calar e conservar nossos
segredos; mortal, se os profanares”.
Psiquê reitera seu amor: “As
próprias trevas da noite não têm mais sombra para mim; eu tenho a ti, que és
minha luz”. E mais uma vez recebe as irmãs, apesar das advertências do esposo. A
jovem cai em contradição sobre a aparência do marido e as duas percebem que ela
não a conhecia, e que ele deveria ser um deus, e que o filho que ela portava
também o seria. Insinuam que o esposo, como previra o oráculo, seria uma
terrível serpente que breve a devoraria e ao filho, e por isto lhe falam de um plano
para que ela matasse o horrível monstro.
Deixada sozinha, Psiquê recebe a
visita das Fúrias: agitada pelo desgosto, ela é como o mar de águas em turbilhão;
transtornada, seus pensamentos em louca aflição oscilam entre o amor inusitado
pelo marido carinhoso e o ódio profundo ao monstro imaginado.
À noite, põe em prática o plano ao
sentir o esposo profundamente adormecido. Munida de uma navalha para cortar a
cabeça do monstro e de um candeeiro para iluminar o leito, ela depara-se com a
imagem da mais bela fera, Eros, o mais belo dos deuses. Psiquê, ao ver o crime
cometido, tenta matar-se, mas a navalha, guiada pelos céus, resvala de sua mão.
Curiosa, ao ver a aljava do deus deixada ao lado da cama, brinca com uma das
flechas e se fere, ficando assim eternamente apaixonada pelo próprio Amor.
Extasiada com a visão do deus,
Psiquê debruça-se e começa a beijá-lo, mas as forças do destino agem novamente e
ela se esquece do candeeiro, que se inclina e lança uma gota de óleo fervente
sobre a espádua direita do deus. Eros acorda com a dor; sem dizer uma única
palavra levanta vôo parando sobre um cipreste; o deus lhe diz de como
desobedecera à sua mãe ferindo-se por suas próprias flechas e que o castigo de
Psiquê seria a sua ausência.
Atordoada após tantas infelicidades,
Psiquê vaga pelo mundo e chega ao reino de uma de suas irmãs e conta-lhe suas
desventuras, acrescentando que Eros havia-lhe dito que, para seu castigo, ele
se uniria a sua irmã. Esta, ouvindo tal promessa, corre ao penhasco e se joga,
confiando novamente no vento, mas este a deixa esborrachar-se nas pedras.
Psiquê repete o estratagema com a outra irmã, conseguindo igual intento.
Enquanto Psiquê peregrinava pelo
mundo à procura de seu amor, uma gaivota fora contar a Vênus tudo o que se
passara com seu filho, e que no mundo inteiro corriam boatos sobre o ocorrido,
e que mãe e filho desapareceram, e por toda a parte o amor morrera. Desnorteada
pela humilhação ante o povo e os deuses, ela ameaça ao filho em retirar seus
poderes, e quanto a Psiquê, sua raiva por ela chegara ao limite que uma deusa
podia sentir, e pede a todos que lhe indiquem onde está sua rival para que possa
castigá-la.
Psiquê chega a um templo de Ceres que
está em completa desordem com trigo e cevada espalhados em meio a instrumentos
de colheita. Com a crença de que não se deve negligenciar nenhum templo, põe-se
a organizar tudo. E a própria deusa, ao vê-la cuidar de suas coisas em
detrimento de suas próprias atribulações, devido aos seus compromissos
familiares recusa o pedido da moça em escondê-la da fúria de Vênus, mas não a
entrega à outra, deixando-a seguir seu caminho.
Psiquê ainda intercede à deusa Juno,
mas esta também lhe replica que não podia atuar contra a vontade de Vênus, sua
nora, a quem amava como filha, e pelas leis dos céus que impediam de recolher
contra a vontade do dono um escravo fugido. Desesperada, sem poder contar com
as deusas, Psiquê resolve entregar-se a sua senhora e se prepara para os
castigos. Pelo menos, imaginava, talvez pudesse encontrar no palácio da mãe
aquele a quem tanto procurava.
Nesse ínterim, Vênus pedira a
Júpiter que lhe permitisse usar os serviços de Mercúrio para achar a escrava
perdida. E o mensageiro levou a todos os povos a ordem de que ninguém poderia
ocultá-la e, ainda, oferecia um belo prêmio a quem a encontrasse, o que atiçou
a cobiça de todos os mortais. Devido a tal, Psiquê apressa-se a entregar-se.
Vênus recebe-a com exultante alegria
e convoca suas criadas, Inquietação e Tristeza, para torturarem a moça, e, em
seguida, clama contra o filho que a moça trazia no ventre considerando-o não
seu neto, mas um bastardo, pois tal casamento não teria sido legítimo, isso
caso ela viesse a consentir no seu nascimento.
Em seguida a deusa preparou um monte
misturando trigo, cevada, milho, mais sementes de papoula, lentilhas e favas,
dizendo-lhe que o separasse até a noite, pois só com o trabalho duro ela
poderia conquistar seu amante. Psiquê nem tentou executar a tarefa por pensá-la
impossível, mas uma formiga compadeceu-se dela frente à maldade da deusa e
convocou um batalhão de formigas em seu socorro.
A deusa, ao voltar, irritou-se com o
trabalho tão bem executado e disse-lhe: “─Não foste tu, velhaca, não foram tuas mãos que fizeram a tarefa, mas
foi sim aquele a quem és cara, para tua desgraça, por tua desgraça, e pela sua”.
Enquanto isto, Eros achava-se trancado em uma ala retirada do palácio para
pensar sua ferida e também para não se encontrar com quem tanto desejava.
Raiada a manhã a deusa chama Psiquê:
“─ Vês esse bosque que, junto do
rio onde suas raízes se banham, estende-se ao longo da corrente? Ovelhas de
tosão de ouro pastam ali sem pastor. Procura agora um floco de lã desse tosão
precioso, não importa como, e traze-mo. Eis a minha vontade”.
Psiquê intenta atirar-se nas águas
revoltas para acabar com seu sofrimento, mas um simples caniço verde, por
inspiração divina, diz-lhe para não perturbar as suas águas sagradas com sua
morte miserável nem tentar aproximar-se das ovelhas em pleno calor do dia, pois
seus chifres e mordidas são venenosos; mas quando o calor amainar pelo sopro do
vento, podes ir até aquele plátano e sacudir as árvores do bosque e colher os
flocos de lã dourada que ficam por toda a parte dos seus galhos curvados.
Psiquê seguiu a recomendação e conseguiu colher uma braçada de lã de ouro.
A deusa não se comoveu com o êxito e
com as sobrancelhas cerradas, disse: “─ Eu
não me engano. Sei quem é o autor desta nova astúcia. Mas vês tu o cume desta
montanha escarpada, dominando o altíssimo rochedo? Lá se encontra uma fonte
sombria. É ela a origem do negro curso que se transforma nos pantanais do
Estige e alimenta as ondas retumbantes do Cocito. Eu quero que, no próprio
cimo, onde a fonte jorra das entranhas da terra, apanhes um pouco de sua água
gelada e ma tragas sem demora, nesta pequena urna”.
Psiquê
restou petrificada à beira do rochedo perigoso, alto demais e muito íngreme.
Além de escorregadio, das grotas saíam dragões sanguinários cuja missão era
montar guarda noite e dia; e mesmo as águas gritavam: “Foge, tu morrerás”. Mas
aos céus não escapou sua aflição e a águia real, a predileta de Júpiter,
resolveu socorrê-la por ter-se lembrado da inestimável ajuda que tivera de Eros
por ocasião do rapto de Ganimedes, e disse à menina:
“─
Ah! Tu, simples como és, e inexperiente, não sabes que os próprios deuses, sem
excetuar Júpiter, temem as águas estígias? Dá-me tua jarra”. E dizendo às águas
que cumpria ordens de Vênus, a águia se esgueirou entre as serpentes e recolheu a
água com a aquiescência destas, e Psiquê pôde voltar com a jarra cheia e
entregá-la à deusa.
A
deusa não se comoveu com a tarefa cumprida e disse-lhe: “─ Toma esta caixinha,
desce aos infernos e passa entre os penates do próprio Orco. Então dize a Proserpina:
Vênus te pede que lhe envies um pouco da tua formosura, apenas a ração de um
dia. A que ela possuía, gastou-a completamente em cuidar do filho enfermo. Mas
não voltes tarde demais. Preciso untar-me com isso antes de ir a um espetáculo
no teatro dos deuses”.
Psiquê
percebeu que estava sendo enviada sem mais enigmas para a própria morte, pois
estava sendo mandada a se misturar com as almas dos mortos. Subiu a uma torre
muito alta para precipitar-se e pegar o caminho mais curto para o fundo do
Hades, mas a torre resolve falar-lhe e diz-lhe que poderia encontrar o caminho
através da morte, mas não poderia retornar. E passou- lhe as instruções
necessárias para encontrar a entrada e tudo que ela necessitaria para fazer a
jornada e penetrar nos aposentos de Proserpina. E, ainda, aconselhou-a: “Não
tentes abrir a caixa que trouxeres nem examines seu interior. Em suma,
guarda-te de qualquer movimento de curiosidade a respeito do divino tesouro de
beleza que ele encerra”.
E Psiquê, cumprindo à risca as
instruções da experiente torre, cumpre sua tarefa e retorna com a pomada, mas,
embora com pressa de terminar sua tarefa, seu espírito foi assaltado por grande
curiosidade, e pensa: “Sou tão boba que vá levar a beleza divina sem tirar nem
um pouquinho para mim e agradar assim, quem sabe, o meu formoso amante”? E
abriu a caixinha.
Mas nada do que era esperado esta
continha, senão o sono estígio espalhando-se por toda a volta; uma vez liberto,
quando ela abriu a tampa da caixinha, ele se apoderou como uma névoa de todos
os membros de Psiquê, prostrando-a no meio do caminho, imóvel como se estivesse
morta.
Eros, já curado do ferimento,
escapuliu pela janela do quarto e louco de saudade, em um vôo rápido,
aproximou-se da sua Psiquê. Cuidadosamente colocou o sono letárgico de volta à
caixinha e despertou a adormecida esposa com um leve toque da ponta de uma de
suas flechas.
“─ És vítima uma vez mais, desgraçada criança, da curiosidade que já te
perdeu. Agora vai, acaba a missão de que te encarregou minha mãe. O resto
compete a mim”. E voou para pedir a Júpiter a sua intercessão. O grande deus
convocou uma assembleia dos deuses a qual quem não comparecesse seria
castigado, e falou:
“─ Deuses conscritos, cujos nomes estão no registro das Musas, aqui está um
adolescente que criei com as minhas mãos, como vós todos sabeis. Achei que é
preciso por um freio aos impetuosos ardores de sua primeira juventude. Assim,
ele tem dado o que falar pelo escândalo cotidiano de seus adultérios e tolices
de toda espécie. Tiremos-lhe a ocasião e
acabemos-lhe com a luxúria de adolescente, encadeando-o com os laços do
casamento. Ele escolheu uma moça e tirou-lhe a virgindade. Que a conserve, que
a guarde para si, e, unido a Psiquê, possa fruir para sempre do seu amor”.
E ainda disse a Vênus que não se
perturbasse com tal casamento e ordenou que Mercúrio raptasse Psiquê da terra e
a trouxesse para o céu. Indo ao seu encontro com uma taça de ambrosia, a bebida
dos imortais, disse-lhe: “─ Toma, Psiquê,
e sê imortal. Jamais Eros se desembaraçará dos laços que o ligam a ti. As
vossas núpcias são perpétuas”.
Dessa forma Eros casou-se com Psiquê
segundo o ritual e festas do Olimpo. Chegado o momento apropriado, nasceu-lhes
uma filha, a que chamamos Volúpia.
-o-
Cantiga de viúvo
Carlos Drummond de Andrade
A noite caiu na minh´alma
fiquei triste sem querer.
Uma sombra veio vindo,
veio vindo, me abraçou.
Era a sombra de meu bem
que morreu há tanto tempo.
Me abraçou com tanto amor
me apertou com tanto fogo
me beijou, me consolou.
Depois riu devagarinho,
me disse adeus com a
cabeça
e saiu. Fechou a porta.
Ouvi seus passos na escada.
Depois mais nada...
acabou.

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