Pipoca
Eu era pequeninho quando fui levado para longe da minha
mamãe. Passei muito tempo dentro de uma casa com rodas. Fiquei tontinho.
Conheci uma menina que me cuidou algum tempo. Carregava-me
para todo lado. Era gostosinho o seu carinho, mas um tanto sufocante: eu nem
podia dar sozinho os meus pulinhos. Um dia ela me deu um banho de bacia. Eu
fiquei molhadinho e magrinho; ela me olhou e disse: “Ai, meu Deus, estraguei o
gato”!
Por dar-me tanta atenção foi que ela desistiu de mim: com medo de um dia
me perder, resolveu perder-me logo; e devolveu-me para o meu Cuidador.
Foi bom, porque voltei para minha mamãe. Por pouco tempo.
Meu Cuidador - era assim que eu chamava aquele moço que cuidava das minhas
necessidades - deixou o sítio onde nasci e mudou comigo para a cidade. E comigo
mudaram também umas pulguinhas que peguei lá no sítio, que me davam umas
coceirinhas...ah, que coisa ruim... eu usava as patinhas e a minha língua para acabar
com aquele tormento, mas pouco adiantava. Coçava a cabeça, coçava minha barriguinha,
coçava minhas orelhinhas... ai, que coceiras eu tinha! Para esquecer da coceira
o jeito era não parar de brincar.
Naqueles tempos eu era chamado só de Gatinho, acho que era
este o meu nome. Minha brincadeira preferida era dar um susto no meu Cuidador.
Naquela casa onde eu morava, tinha uma sala com uma mesa onde a gente grande costumava
sentar para comer. Eu tinha minha comidinha colocada num cantinho só meu lá
perto da cozinha.
Quando meu Cuidador acabava de comer, eu já sabia que ele
ia levantar-se e ir para o quarto dele. Eu então me escondia atrás da parede do
quarto e... quando ele punha o pé na porta, eu zás! Pulava para cima dele e: ai!
Que susto ele levava. Eu saía correndo para ele não me pegar, pois ele ria muito
da minha esperteza e ficava querendo agarrar-me para brincarmos juntos. Eu
fugia só para provocar um tantinho mais.
Ele me colocava uns remedinhos por causa das pulguinhas,
mas não estava adiantando. Como eu era uma bolinha de pelos, eu tinha muitos
cantinhos para elas fugirem e ficarem bem escondidinhas, e muitas pulguinhas
iam nascendo. Meu Cuidador ficou muito nervoso.
Ele comprou um remédio que não era próprio para um gatinho
e deixou em cima da mesa. Como dever de um gatinho, eu também era muito
curioso. Fui mexer no vidro do remédio... e caiu! No susto que eu levei, eu caí
da mesa também e o remédio caiu bem em cima de mim, molhando-me todinho.
Depois aconteceu uma coisa muito estranha... e sem nenhuma
graça: quando eu ia caminhando, eu dava três passinhos e upa! Eu nem queria,
mas dava um salto desengonçado para cima, uma cambalhota no ar e caía novamente
em pé sobre as minhas patinhas. Mesmo quando eu estava quietinho, deitado no
sofá, upa! Lá eu ia novamente, sem vontade, fazer acrobacia. Pulava.
Cambalhotava. Caía de novo em pé.
Meu Cuidador ficou muito preocupado, mas ria muito, pois
achava engraçado o jeito dos meus pulos desengonçados, e disse que eu parecia
uma pipoca. Ele me levou depressa para o doutor que cuida dos bichinhos, o moço
veterinário, foi assim que ouvi ele falar do moço.
O moço também achou engraçado os meus pulinhos, mas me deu
um remédio para eu parar de pular.
Eu parei, mas ninguém esqueceu dos meus pulinhos, pois
então eu ganhei meu nome e deixei de ser o Gatinho para então me chamar Pipoca.
Ah! Ia até me esquecendo: as pulguinhas não me fizeram mais
cosquinhas.
-o-
Le
chat e l’oiseau O gato e o pássaro
Jacques Prévert
Un village
écoute désolé Uma
cidade escuta desolada
Le chant d'un oiseau blessé O
canto de um pássaro ferido
C'est le seul oiseau du village É
o único pássaro da cidade
Et c'est le seul chat du village E
é o único gato da cidade
Qui l'a à moitié devoré Que
pela metade o devorou
Et l'oiseau cesse de chanter E
o pássaro para de cantar
Et le chat cesse de ronronner E
o gato para de ronronar
Et de se lécher le museau E
de lamber-se o focinho
Et le village fait à l'oiseau E
a cidade faz para o pássaro
De merveilleuses funérailles Maravilhoso
funeral
Et le chat qui est invité E
o gato que foi convidado
Marche derrière le petit cercueil Vai
atrás do caixãozinho
de paille de
palha
Où l'oiseau mort est allongé Onde
o pássaro morto está
Porté par une petite fille Levado
por uma menininha
Qui n'arrête pas de pleurer Que
não para de chorar
Si j'avais su que cela te fasse Se
eu soubesse que isso te daria
tant de peine tanta
dor
Lui dit le chat Diz-lhe
o gato
Je l'aurais mangé tout entier Eu
o teria comido inteirinho
Et puis je t'aurais raconté E
depois te teria contado
Que je l'avais vu s'envoler Que
o teria visto voar
S'envoler jusqu'au bout du monde Voar
até o fim do mundo
Là-bas ou c'est tellement Lá
onde é tão longe
Que jamais on n'en revient Que
nunca mais se retorna
Tu aurais eu moins de chagrin Terias
sentido menos dor
Simplement de la tristesse et Simplesmente
tristeza e
des regrets saudade
Il ne faut jamais faire les choses Não se deve nunca fazer as coisas
à moitié pela
metade
Gato é um animal muito divertido mesmo, o meu aqui tem horas que faz a gente rir sozinho...faz cada coisa. Outro dia ele foi dar o passeio dele noturno e quando olhei vi que estava brincando com algo, quando eu olhei de novo, pq isso era já noite, levei um susto ele simplesmente trouxe um ratinho para me mostrar e dizer olha aqui como sou bom em caça...rsrsrsr
ResponderExcluirAndréa